Uma das obras que mais me fascinam até hoje no âmbito da cultura oriental é, sem dúvida alguma, G Gundam. A forma como a história consegue adaptar a ideia de cada país possuir um robô de lutas com identidades e “absurdos” próprios é uma ode à capacidade de unir e criar estilos únicos ao fundir culturas, e Mexican Ninja consegue seguir em boa parte este conceito.

O roguelite da Madbricks, que já venho esperando há um tempo, para ser sincero, é ao mesmo tempo interessante e um pouco frustrante, me trazendo flashbacks de outra obra muito inferior a ele, mas que de alguma maneira se faz presente no DNA do jogo. Com uma história interessante e estilo promissor, é incrível pensar em como um jogo consegue ficar na média desta maneira.

Saquê Sundown

A história de Mexican Ninja traz um mundo onde, por algum motivo, o Japão, utilizando robôs gigantes, simplesmente decidiu invadir o México, dominando o país através da força bruta e fundindo suas culturas. A capital, Nuevo Tokyo, torna-se o antro principal da colonização e o amálgama de costumes entre os dois países, seja para o bem ou para o mal, culminando no surgimento de uma nova entidade criminal: a Narkuza.

Mexican Ninja

Tal como diversas outras organizações de mesmo cunho, a Narkuza estendeu seu controle por dentro do governo e controla a pulsação do país, semelhante a uma doença que pune e elimina os mais fracos, além de adoecer cada vez mais a mente dos mais fortes sob seu controle. A população desamparada não sabe a quem recorrer, a não ser ao único herói corajoso o suficiente para enfrentar a Narkuza: Mexican Ninja!

Munido de sua katana e seu shamisen, nosso herói enfrenta os mais diversos tipos de ameaças ligadas à Narkuza, sejam eles bandidos comuns, soldados cibernéticos, pandas mutantes, robôs ou luchadoras gatinhas. Considerado aquele que irá salvar o país e sua população, muitos veem o Mexican Ninja como o predestinado a derrotar os membros da Narkuza, o famoso Chosen Juan!

Sua jornada, no entanto, não será fácil. Afinal, os caminhos são muitos e há várias pessoas em busca de ajuda e socorro do nosso herói. Há muitos inimigos no caminho do Mexican Ninja, armadilhas e chefões de áreas, em uma jornada que exigirá muito tanto do protagonista quanto do jogador para se acostumar com os controles e os tempos de ataques um tanto quanto “complicados”.

Mexican Ninja

Igualzinho à Chapolim Colorado

Acredite quando falo que realmente é igual às lutas do Chapolin Colorado! Esta é a parte que resolvi abordar primeiro por ser meu maior perrengue com Mexican Ninja: o seu combate flutuante, que somado a um humor bem “5ª série”, me trouxe flashbacks de um dos piores jogos em que também havia colocado esperança — Shaq-Fu: A Legend Reborn.

Para aqueles que ainda não conhecem o termo que cunhei, o “combate flutuante” é aquele onde você golpeia o oponente e é como se estivesse o atacando com uma pena, o famoso “soco de sonho”, onde parece não haver impacto ou transferência de energia e o oponente logo em seguida te contra-ataca. Algo que fica ainda mais proeminente em Mexican Ninja quando se luta com os chefes.

O primeiro boss do jogo mostra bem esta “tese” de combate, principalmente antes de o jogador conseguir alguns upgrades realmente marcantes. Você o está golpeando com seus melhores ataques e habilidades, achando que irá conseguir mantê-lo preso na animação de dano, mas não: o jogo tem outros planos e ele automaticamente se recupera e responde sem telegrafar, com uma barrigada ou salto em sua direção.

Mexican Ninja

Frustrante? Sim. Errado? Talvez! Talvez seja uma opinião própria, porém jogos roguelites e/ou beat’em ups (algo de que Mexican Ninja também parece ter uma forte inspiração) sempre foram para mim os famosos “cheesy games” onde, se você consegue segurar um oponente ou chefe em um combo infinito, não é porque você está roubando, mas sim porque consegue manter um estado de flow dentro do jogo, superando até mesmo os chefes. Um ótimo exemplo disso é TMNT: Shredder’s Revenge.

Calma calma, não priemos cânico

Isso não quer dizer, no entanto, que Mexican Ninja seja automaticamente uma obra intragável e absolutamente injogável! Muito pelo contrário. Ainda que com sua mecânica principal não sendo o seu forte, há ainda muitos pontos positivos sobre o jogo, como sua direção de arte, sonora e o design geral de personagens e ambiente. Além do design de níveis e mundos, que achei extremamente interessante.

Em Mexican Ninja, o jogador está sempre utilizando o metrô para se movimentar por entre os setores de Nuevo Tokyo, começando pelos subúrbios, indo para as indústrias, laboratórios, etc. Cada vez que se chega ao fim de uma fase e à próxima estação, o jogador recebe duas escolhas que o guiarão para o próximo nível. Ou seja, há diversas rotas que podem ser feitas em diferentes runs da história, e algumas destas rotas escondem segredos e missões.

Mexican Ninja

Um exemplo disso é a missão “Garoto no Barril”, onde é preciso vasculhar todo o subúrbio atrás de um garoto — dentro de um barril, obviamente. Caso não consiga encontrá-lo antes de lutar contra o chefe da área, é preciso esperar morrer e tentar um caminho alternativo, com sua própria gama de inimigos e áreas de combate. Além de XP e dinheiro, as missões desbloqueiam skins para o Mexican Ninja; além do visual diferente, cada skin garante bônus extras, como aumento de vida, aumento de força ou mais dinheiro, a exemplo da skin do Seu Madruga.

Há uma quantidade enorme de skins para serem liberadas, mas admito que o jogo em si não chega a ser muito longo e não há muitos desbloqueáveis na questão de habilidades ou upgrades. Eles são razoavelmente básicos, e o jogo é relativamente curto. Ainda assim, Mexican Ninja é um jogo divertido e desafiante, que não chega a ter a melhor mecânica de combate, mas não é quebrado e intragável como Shaq-Fu: A Legend Reborn.

Estilo e essência de mãos dadas

Por mais que o combate pareça que você está batendo nos inimigos com uma bexiga por causa do feedback após cada hit, admito que o mundo por trás de Mexican Ninja me intriga e eu gostaria de ver mais histórias assim. Por algum motivo, quando vejo o jogo, lembro-me de Desert Punk e Yaiba: Ninja Gaiden Z, algumas das minhas obras underground favoritas — talvez seja pela maneira como implementam os elementos e pelo estilo de arte.

Mexican Ninja

Ao longo do jogo, é possível receber bênçãos e aprimoramentos de três entidades: Virtencita Nee-San, Hachipotli e Yokai Lloroña. Esse amálgama entre o cristianismo, lendas urbanas latinas e a cultura oriental é algo que me chamou bastante a atenção, pois, quando bem-feito, é sempre de dar gosto, acertando tanto no design quanto nas interações das entidades com o protagonista.

Como dito antes, há poucos upgrades a serem comprados e refinados em Mexican Ninja, e estes são adquiridos na base para onde nosso herói é levado após morrer nos níveis. Habilidades de luta são aprendidas com Pepe-San, um gordo bêbado que fica dormindo na base até falarmos com ele. Já os jutsus e habilidades mágicas se aprendem junto a um totem que fica logo na entrada do local.

Além disso, há um painel com o rosto dos alvos do Mexican Ninja, além de um espelho onde podemos trocar a skin do nosso herói. Há alguns NPCs com os quais podemos interagir no local, mas eles apenas dão dicas sobre locais, diferente dos NPCs encontrados nos níveis, que muitas vezes são onde encontramos as missões (principalmente quando possuem um marcador vermelho sobre suas cabeças).

Mexican Ninja

Uma luta difícil, mas justa

Mexican Ninja não é tudo o que eu esperava, mas admito que foi uma experiência divertida. Porém, inferior a seus concorrentes, como Tartarugas Ninja: O Destino de Splinter, Ninja Gaiden: Ragebound e Shinobi. É um bom jogo para matar aquela coceira de uma aventura nova, mas que não chega a ser tão marcante ao fim do dia.

60 %


Prós:

🔺Design de níveis consistente e que aumenta o fator replay
🔺Criatividade na criação de mundo e fusão de elementos sem forçar a barra
🔺Narrativa interessante que consegue mesclar bem ambas culturas

Contras:

🔻Mecânica de combate tediosa e repetitiva mais do que necessário
🔻Pouco feedback de impacto ao acertar oponentes
🔻Poucos upgrades e variação de estilos e combate

Ficha Técnica:

Lançamento: 20/08/2026
Desenvolvedora: Madbricks
Distribuidora: Amber Studio
Plataformas: Pc, Playstation 5, Xbox Series
Testado no: PC

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