Grim Trials chega ao mercado como mais uma proposta ambiciosa no gênero roguelite de ação, desenvolvido pelo estúdio Glory Jam e publicado pela Soft Source, o jogo coloca você na pele de Avelin, uma jovem que morreu prematuramente e foi recrutada como Ceifadora da Morte em treinamento.

A premissa é simples e direta, colocando você em partidas para enfrentar chefes profanos, caçar almas impuras e superar um submundo que possui ligação com a própria protagonista, para se tornar uma Ceifadora e reencontrar seu amor no mundo dos vivos.

Morrer nunca foi tão metaaaaaal

Grim Trials possui uma narrativa que gira em torno de Avelin, uma protagonista que precisa lidar com a própria morte e os demônios internos que a assombram. Cada um dos sete chefes representa manifestações das falhas de sua vida, e derrotá-los significa superar esses traumas para seguir em frente em sua nova existência como Ceifadora da morte.

Grim Trials

A história é apresentada de forma fragmentada, com NPCs no Instituto revelando pedaços de seus passados conforme você progride, numa estrutura que lembra bastante Hades e inclusive com a presença de animais de estimação falantes. Tudo muito carismático e interessante, dentro de um escopo mais simples de jogo e num estilo mais indie.

Com uma pegada heavy metal, mas com sensibilidade, a motivação de Avelin não é uma vingança puramente cega, mas que também carrega um amor inabalável. Essa dualidade entre a brutalidade do combate e a ternura da promessa de reencontro dá um peso emocional que sustenta as repetidas tentativas e mortes inevitáveis do gênero roguelite.

Grim Trials

Embora as comparações com Hades sejam inevitáveis, e os próprios desenvolvedores não tentem escondê-las, Grim Trials se diferencia em alguns pontos cruciais. O mais notável é o sistema de crafting mais profundo, em que você coleta materiais das arenas e trabalha com mentores nas artes arcanas para forjar armas, armaduras e consumíveis mais poderosos. Esse loop de progressão representa boa parte da experiência de avanço no jogo.

Morte, foices e bestas

Outra novidade é a possibilidade de retornar às salas já visitadas dentro de uma mesma partida, o que adiciona uma camada tática ao explorar arenas hexagonais. Além disso, as Bênçãos dos Deuses, inspiradas em divindades da morte do mundo real, podem ser atualizadas e permitem que você refine sua build ao longo de múltiplas tentativas. A árvore de habilidades também é bem extensa, com diversos nós de combo de ataque e que permitem sequências mais letais.

Grim Trials

Grim Trials possui um sistema roguelite bem executado, com árvore de habilidades direta, upgrades bastante úteis e que funcionam de forma passiva. Cada inimigo derrotado contribui para seu próximo ponto de habilidade, independentemente de onde você morreu ou quão longe chegou. Diferentemente de Hades, Grim Trials é mais amigável e parece realmente querer que os jogadores tenham sucesso e, com tempo suficiente, é praticamente inevitável que você se torne forte o bastante para superar qualquer obstáculo.

O combate de Grim Trials é rápido e fluido, com controles responsivos que recompensam o uso inteligente das armas. Você alterna entre foices e bestas, com ataques básicos sem limitação de estamina e ataques especiais que exigem momentos de carga. Essa mecânica de dupla empunhadura permite misturar estilos, com foices para dano corpo a corpo e bestas para dano à distância, com a possibilidade de disparar a besta enquanto se move.

Grim Trials

As arenas são hexagonais e recheadas de monstros, armadilhas e almas pecadoras, forçando o jogador a pensar posicionalmente e estar atento às ameaças dos próprios ambientes. Cada arma tem um ataque especial único, e o dano pode ser amplificado ao dominar a troca entre os tipos de ataque. No entanto a variedade de golpes e projéteis em sua direção podem causar facilmente momentos em que o jogo parece um bullet hell, sem contar que usar o direcional direito durante momentos mais tensos podem causar falhas graves de mira ao se aproximar demais dos inimigos.

Os controles permitem o uso de dash sem tempo de recuperação para esquivar de ataques e pular pequenos obstáculos, permitindo uma jogabilidade rápida e fluida, com ataques e esquivas precisas. Os desenvolvedores também mantiveram o padrão para o Instituto e a mmaneira como organiza o conteúdo do jogo, o mesmo vale para a HUD, sem novidades e muito intuitiva, fazendo com que Grim Trials seja um jogo muito fácil de ler para quem está familiarizado com títulos desse gênero.

Grim Trials

Diferente da barra de energia presente em outros jogos, Grim Trials traz símbolos de vida que equivalem a dois hits para eliminar um pedaço da vida de Avelin. Começando com seis símbolos, ou seja, permitindo 12 danos no total, você pode melhorar essa questão na árvore de habilidades e deve fazer isso o mais rápido possível, pois o jogo se torna cada vez mais exigente em questão à vida da personagem.

Música de tremer o submundo

Inclusive, um dos pontos negativos, é a falta de recursos e oportunidades para cura, que aumentam ainda mais a dificuldade em cada run, reservando esses momentos apenas com poções ou benção, além do sistema de crafting que permite criar poções. Falando em crafting, além de poções, você precisará craftar suas armas e equipamentos através de um minigame em que você ativa símbolos na ordem certa para obter qualidade máxima no item desejado.

Grim Trials

Visualmente, Grim Trials adota um estilo artístico muito similar ao de Hades, com personagens estilizados e ambientes sombrios. A direção de arte é competente, mas carece de diversidade por oferecer características muito parecidas entre as salas e com poucos obstáculos variados. A ambientação é inspirada no submundo ocidental, com decorações e recompensas que combinam com o tema ligados à morte, e mesmo com suas limitações entregam uma boa experiência visual.

A trilha sonora é um dos pontos altos do jogo, misturando heavy metal com um quê de fantasia sombria, trazendo uma mixagem realmente impressionante. O metal pesado não abafa os efeitos sonoros dos ataques, investidas e acertos, cada um com som único e bem integrado. Essa proposta completa a experiência de um hack ‘n slash frenético com estética heavy metal, muitas horas trazendo esse mar de elementos num mesmo ambiente pequeno e hexagonal.

Grim Trials

Por fim, Grim Trials não pode ser considerado uma versão menor de Hades ou apenas uma opção mais acessível, pois ele oferece uma boa adição ao gênero roguelite, com características familiares ao mesmo tempo em que consegue entregar carisma e identidade própria, tornando a experiência prazerosa e divertida, principalmente se você não é fã do nível de dificuldade de outros títulos. Adicione uma excelente trilha sonora e que realmente sabe fazer bem a mixagem de sons para você passar boas horas pelo submundo.

78 %


Prós:

🔺Combate rápido e fluido
🔺Sistema de crafting integrado à progressão
🔺Trilha sonora heavy metal bem mixada e imersiva
🔺Narrativa emocional e interessante
🔺Um roguelite que realmente quer que o jogador tenha sucesso

Contras:

🔻Visual com pouca diversidade de cenários
🔻Travamentos no Switch 2 durante partidas
🔻Mira direcional sem muita precisão
🔻Sistema de cura limitado

Ficha Técnica:

Lançamento: 20/08/2026
Desenvolvedora: Glory Jam
Distribuidora: Soft Source
Plataformas: PC, PS5, Switch, Xbox
Testado no: Switch 2

The Sinking City 2
Review – The Sinking City 2

Review – The Sinking City 2

Vinícios DuarteVinícios Duarte17/08/2026
MARVEL Tōkon_ Fighting Souls_bg
Review – MARVEL Tōkon: Fighting Souls

Review – MARVEL Tōkon: Fighting Souls

Rafael CorreiaRafael Correia14/08/2026
Review – Duskfade

Review – Duskfade

Rafael NeryRafael Nery13/08/2026