Trens geralmente remetem a momentos de tranquilidade, paz e conforto, com suas longas rotas embalando os passageiros em seu interior para descansar e observar a vista, refletindo, meditando e maturando inúmeras ideias. Até mesmo histórias de mistério e ação em trens têm um passo mais lento do que o esperado, isso sem falar nos jogos inspirados neste meio de locomoção. Denshattack, no entanto, joga tudo isso pela janela e traz adrenalina e velocidade ao gênero.
O peculiar jogo de “esporte” desenvolvido pela Undercoders traz uma proposta inovadora a jogos e histórias de trens, apresentando uma narrativa semelhante à de animes esportivos fantasiosos como Beyblade, Bakuso Kyodai Let’s & Go! e outros do gênero. Aqui acompanhamos Emi, uma jovem órfã que acaba caindo por acidente no excitante mundo de Denshattack, um esporte cheio de adrenalina e velocidade.
Todos a bordo do manobra express
Criada sem os pais, Emi cresceu com sua avó, que a ensinou a preparar um delicioso lámen. O prato conquistou a todos no local onde moravam, fora dos domos tecnológicos que dominam o Japão futurista onde Denshattack se passa. Esses domos foram responsáveis pela morte dos pais de Emi enquanto trabalhavam em sua construção, deixando para a jovem apenas o vagão como memória e herança.

Enquanto pilotava seu vagão, no que parecia ser apenas mais um dia normal, Emi conhece Fer, um fotógrafo e repórter esportivo de Denshattack. Emi rapidamente se apaixona pela emoção e adrenalina proporcionadas pelo esporte, saltando com seu vagão entre trilhos em locais tomados pela natureza e caminhos sinuosos, uma vez que o mundo fora dos domos teve de se adaptar em meio às ruínas de um cataclisma natural que deixou o mundo devastado.
Aqueles com dinheiro se acomodam dentro dos domos da Corporação Miraido, responsável por condicionar as pessoas a se acostumarem às viagens ultravelozes e “simples” de seus trens-bala que viajam em trilhos subterrâneos entre as cidades-domo. Enquanto isso, fora destes sistemas fechados, vagões estilizados dominam os trilhos em manobras e competições arriscadas deste esporte animado que é Denshattack!
Ao longo do caminho, Emi fará aliados e rivais em busca de se tornar uma estrela de Denshattack, aprimorando seu vagãozinho simples em uma máquina de manobras estilosa, com visuais únicos e habilidades especiais que podem ser alternadas. Tudo isso enquanto descobre que a corporação Miraido pode não ter apenas o bem-estar do povo japonês como objetivo.
Uma ideia, um meme
Ao assistir a gameplays de Denshattack ou até mesmo ao jogá-lo, é impossível não se lembrar da famosa imagem de paródia de Densha D, onde vemos um vagão fazendo um drift em duas linhas ao mesmo tempo! É algo que não fazemos exatamente da mesma maneira em Denshattack, mas que serve de forte inspiração quando vemos o vagão deslizando no corrimão igual a um skate em jogos como Tony Hawk’s Pro Skater.

Os níveis do jogo funcionam de maneira diferente do que se espera de um título de skate ou focado em manobras. O vagão está preso aos trilhos na maior parte do tempo e segue caminhos predeterminados. Dessa maneira, o jogador deve calcular a quantidade de trilhos que possui e tentar emendar manobras enquanto ainda está nos trilhos para poder aumentar a sua pontuação e o seu combo.
O perigo está no fato de que os níveis possuem obstáculos como fim de trilhos, caminhos fechados e curvas sinuosas; caso o jogador não calcule direito, facilmente irá descarrilar. Não há um limite de vezes que se pode descarrilar, porém isso fará com que se leve mais tempo para finalizar o nível, diminuindo a chance de ganhar o ouro nas medalhas de tempo.
Os níveis são divididos em capítulos onde Emi e seu grupo, que está sempre crescendo, avançam Japão adentro combatendo diferentes líderes de gangues baseados nos estereótipos da cultura pop japonesa. A primeira equipe é baseada nas Ganguro Girls, a segunda é formada por jovens delinquentes e a terceira, até então, por Rockabillys e Banchous. Porém, há ainda vários outros grupos a serem vistos em Denshattack.

Um vagão cada vez mais radical
Avançando cada vez mais Japão adentro, Emi conhecerá diferentes artistas e artesãos, que poderão ajudá-la a personalizar seu vagão e ensinar a ela novas habilidades. Uma das mais diferentes é a habilidade de sair dos trilhos em túneis circulares e andar apenas pela superfície destes túneis, ou usar “manuals”, iguais aos de skate, para manter um combo. Afinal, quanto maior o combo, maior a energia ganha para o Denshattack.
O Denshattack se manifesta através de caminhos e trilhos coloridos que representam o chamado Nobre Caminho Óctuplo, aumentando as oportunidades de pontuação do jogador e revelando segredos, alguns que só podem ser descobertos e completados ao atingir este estado de iluminação. Cada nível possui três classificações baseadas na pontuação, no tempo para se terminar a fase e na quantidade de objetivos completados, com as medalhas variando entre bronze, prata e ouro.
Os objetivos são diversos, semelhantes aos do já citado Tony Hawk, como coletar certos itens do local (bonecas, decorações, elementos culturais), utilizar a buzina do vagão para alterar algo do mapa, realizar combos com um determinado número de manobras ou até mesmo executar manobras específicas para eventos específicos. Seja nestas fases de manobras, parques de treino, pistas de corrida ou fases de demolição, realizando certas ações, Emi e seu vagão espalham o caos nas obras da Miraido.

O jogo tem um visual colorido bem extrovertido que salta aos olhos do jogador, o que em certos momentos pode até mesmo gerar um excesso de poluição visual, atrapalhando a visualização de certos obstáculos ou fazendo o jogador se perder durante uma troca de pista, wall riding ou algo do tipo. Porém, o sistema e a mecânica do jogo são bem sólidos e dificilmente farão com que o jogador simplesmente atravesse um corrimão ou trilho por falha do jogo, perdendo assim seu combo e tempo.
Controlando o vagão descontrolado
Denshattack funcionou muito bem em minha máquina e respondeu de forma excelente ao controle EasySMX 10 que uso para jogar, não havendo nenhum input lag visível. O jogo também rodou liso no ultra no meu setup com uma RTX 4060, mesmo com a grande quantidade de partículas e efeitos visuais ocorrendo ao mesmo tempo durante as manobras e os trilhos coloridos de Denshattack.
Os controles funcionam com o analógico esquerdo servindo para controlar o vagão no ar, virando-o em trilhos e paredes nas quais o jogador pode andar; já com o direito, enquanto o vagão está no ar ou no corrimão, é possível fazer diversas manobras de acordo com o movimento realizado, de forma semelhante a Skater XL. O gatilho direito serve para saltar com o vagão e o esquerdo serve para dispará-lo nas curvas fechadas, acertando o tempo perfeito para acelerar.

Denshattack é um projeto diferente e inovador, que lembra antigos clássicos como Gitaroo Man, Far Far West ou Jet Set Radio, com um estilo visual único e chamativo. No entanto, admito que a narrativa em si deixa um pouco a desejar, apoiando-se bastante em clichês de animes do gênero, como citado no começo do texto. Quando conhecemos a valentona da segunda área, lembrei-me imediatamente de quando Tyson conhece Kai em Beyblade.
É um jogo bem divertido e inovador, sem dúvida alguma, mas que pode acabar sendo um pouco exagerado para alguns jogadores. Se você já imaginava que Jet Set Radio precisava de algo mais veloz ou agressivo que patins, pegue sua passagem para os vagões de Denshattack.
Prós:
🔺Gameplay divertida com mecânicas bem estabelecidas
🔺Estilo visual marcante de mundo e personagens, além de excelente trilha sonora
🔺Uma grande variedade de missões, objetivos e conteúdo
Contras:
🔻Narrativa bem clichê e previsível
🔻Alguns momentos o excesso de efeitos em tela pode gerar poluição visual
Ficha Técnica:
Lançamento: 15/07/2026
Desenvolvedora: Undercoders
Distribuidora: Fireshine Games, Boltray Games
Plataformas: PC, Playstation 5, Switch 2, Xbox Series
Testado no: PC


