Eu começo este review de pé, aplaudindo a IO Interactive. Que jogo incrível, meus amigos! 007 First Light renova a franquia de jogos trazendo uma história de origem para o agente secreto mais famoso do mundo. O ator irlandês Patrick Gibson dá vida ao jovem Bond, inicialmente um aviador da Marinha Real Britânica que sobrevive à um ataque surpresa durante uma operação na Islândia. Ele acaba sendo colocado à prova por uma supervisora da MI6, com 1% de chance de sobrevivência. Mas é claro que nosso herói dá um jeito, com a ajuda do jogador por um breve tutorial de furtividade. Uma introdução épica, que já mostra uma parte das muitas qualidades do game.
007 First Light é um jogo belíssimo, com uma história de origem muito bem escrita e um Bond que, desde o início, conquistará os jogadores com seu carisma e humor afiado. E ainda que este seja um jogo 100% autoral, não deixa de prestar homenagens aos games do passado, especialmente o amado GoldenEye 007 de Nintendo 64. Em outras palavras, o legado de 007 está nas mãos da equipe certa, que respeitou e elevou o nível dos jogos da franquia.

Inspirações para uma nova abordagem
Se você viu algum dos trailers publicados antes do lançamento, certamente notou que o jogo tem um quê de Hitman – outra franquia de sucesso da IO Interactive – e Uncharted. E sim, a sensação ao jogar é essa mesma. Porém 007 First Light empresta o melhor dessas franquias para ter sua própria identidade, sem se parecer muito com um ou outro. Ou seja, tem a furtividade e a variedade de soluções para resolver obstáculos de Hitman, bem como a exploração vertical, ação, humor e desenvolvimento de história de Uncharted.
A diferença no gameplay reside no excelente e responsivo combate corpo a corpo e nos dispositivos tecnológicos que Bond utiliza, incluindo o Relógio Q. Ou seja, hackear coisas, disparar um dardo tóxico que causa mal estar no alvo, disparar cápsulas de fumaça com um isqueiro para fugir do perigo e explodir coisas com uma caneta, dentre outros exemplos. Bond possui 4 espaços para configurar seus dispositivos prediletos antes de cada missão. E para recarregar estes dispositivos basta pegar baterias e produtos químicos pelo caminho.

007 First Light dá liberdade para você escolher sua abordagem: totalmente na surdina ou enfrentando geral com seus punhos e armas de fogo. A segunda opção, porém, sempre será a mais difícil. A inteligência artificial do game faz muito bem seu papel, chamando reforços, jogando granadas, flanqueando e pressionando o jogador a todo momento. Bastam alguns tiros ou socos atingidos que Bond vai rapidinho pro chão, especialmente se jogar na dificuldade mais elevada (Purista). Embora os NPCs façam mais vista grossa do que em Hitman, para evitar uma constante frustração, o desafio nunca esfria.
A impulsividade do aprendiz
Após o incidente na Islândia, Bond é chamado para ir ao MI6 e aceita entrar no programa 00, reativado por M. Aqui começa um segundo tutorial onde você aprende o restante do gameplay, mas sem aquela chatice de tutorial básico. Você conhece seus colegas de trabalho e todo o treino é conduzido junto à história, com trocas rápidas de cenas para um gameplay constante. É como se você estivesse jogando um filme, de tão bem amarrado que as coisas são. E os demais personagens, em especial seu mentor John Greenway (interpretado por Lennie James, da série The Walking Dead), garantem diálogos e uma dinâmica especial para o jogo. Os vilões, embora com menos espaço para desenvolvimento, são todos bem interessantes.

A ambientação também impressiona, especialmente nos capítulos que envolvem lugares abarrotados de NPCs e uma mar de possibilidades. Precisa de um cartão pra passar por uma porta? Você pode ir atrás de alguém que tem o cartão ou, simplesmente, achar outra forma de chegar do outro lado da porta. Bond também pode ouvir a conversa dos outros para obter pistas, bem como blefar e distrair alvos no momento certo. Testar essas coisas é extremamente divertido, esteja você com paciência ou não.
Se você não curte jogos de furtividade ou exploração lenta, talvez 007 First Light não seja pra você. Há sim momentos de calmaria e pura exploração, com muitos diálogos rolando e coisas para investigar. Porém a ação sempre chega no momento certo, promovendo situações épicas de tiroteio e perseguições. E tudo sempre embalado por uma trilha sonora fenomenal, na pegada clássica da franquia, que turbina o clímax de cada grande momento do game.

A escolha do elenco é outro ponto forte, sendo a maioria atores de séries famosas. Mas destaco aqui a participação de Lenny Kravits como Bawma, personagem com aparição breve mas bastante memorável na história. A minha única bronca fica para a ausência da dublagem em Português do Brasil. O jogo foi dublado somente em inglês, deixando todas as outras línguas sem opção exceto pelas legendas e interfaces localizadas.
007 First Light é um forte candidato à melhor jogo do ano. E não estou exagerando: além da boa duração, excelente história e gameplay, o game é altamente convidativo para rejogar os capítulos. Ao menos pela curiosidade ao descobrir outras formas de concluir as missões. Até nas conversas bate essa curiosidade, com respostas diferentes pra ver no que dá.
A IO Interactive depositou no jogo toda a sua paixão pela franquia, entregando uma obra digna de filme. Tudo aqui foi feito com extremo carinho e dedicação, algo que não se vê frequentemente hoje em dia. E acertaram em cheio na caracterização do novo e jovem Bond.
Prós:
🔺História incrível, bem escrita e empolgante
🔺Bond carismático, com muita personalidade
🔺Gameplay redondo, que promove diversas possibilidades
🔺Ótimo equilíbrio entre furtividade e ação desenfreada
🔺Duração na medida certa
Contras:
🔻Faltou dublagem PT-BR (e outras línguas)
Ficha Técnica:
Lançamento: 27/05/2026
Desenvolvedora: IO Interactive
Distribuidora: IO Interactive
Plataformas: PC, PS5, Xbox Series
Testado no: PC


