Em 2020, escrevi sobre a experiência emocional e silenciosa de Spirit of the North, um jogo que me conquistou sem usar diálogos, mas com sensações visuais e sonoras. Agora, com o lançamento do tão aguardado Spirit of the North II, retorno a esse universo etéreo em uma jornada ainda mais ambiciosa e profundamente tocante.

O que antes era um passeio guiado por cenários exuberantes e acompanhado de uma guardiã brilhante, agora é uma grande travessia de um mundo vasto, aberto e repleto de histórias enterradas sob as ruínas da guerra. Resta saber se todas as novidades agregam positivamente ao universo que já estava muito bem estabelecido.

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A jornada da luz em um mundo ferido

Desta vez, os desenvolvedores da Infuse Studio, ampliaram o mapa por cerca de dez vezes: são seis regiões distintas. O ambiente guarda segredos, puzzles e elementos únicos que enriquecem a experiência. A liberdade é enorme, e embora possamos ir a quase qualquer lugar, a compreensão e as habilidades nem sempre vão acompanhar a curiosidade – isso torna cada descoberta mais significativa, porém requer dedicação.

Você encontrará masmorras, criptas e regiões submersas que revelam desafios mais elaborados. Esses locais, mais lineares e focados em puzzles recompensam com cosméticos, relíquias ou pergaminhos que expandem a história.

Além de servir como um bom contraponto ao mundo aberto. Inclusive, o ciclo climático afeta o ambiente e sua atmosfera, incentivando o retorno a áreas já visitadas sob novas perspectivas e também podem gerar boas capturas no modo foto.

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Tradições, memórias e espiritualidade

A mitologia de Spirit of the North II é mais densa e envolvente, embora esteja ainda ligada ao contexto anterior. O jogo apresenta uma narrativa onde os povos cultuavam seus guardiões animais: raposa, corvo, cervo, carneiro, lobo da lua, lobo do sol e urso. Com a guerra de Grimnir, veio a peste, a fome e a corrupção, onde todos os guardiões e seus respectivos adoradores caíram, menos a raposa – Nosso protagonista.

A missão agora é restaurar esses guardiões corrompidos pelo passado, e não se trata de derrotá-los, mas sim de salvá-os. Os encontros rendem desafios extremamente simbólicos. Na prática devemos solucionar puzzles para conduzir o embate, ao mesmo tempo, é difícil não refletir sobre as cenas que acontecem. Honestamente, é uma comunicação simples, porém poderosa.

Explorar as ilhas do norte é uma experiência contemplativa, ainda que a ausência de objetivos claros exija atenção e paciência. Por sorte, temos a companhia do corvo, ele que nos conduz para cumprir essa profecia de purificação, alertando, hora ou outra, quanto a caminhos a serem seguidos.

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Mais uma vez parte da história está escrita através de artes rupestres nas pedras, encontrá-los garante bons momentos de observação e contemplação, pois são bem bonitos mas, também pedem a sua própria compreensão. Vale a pena tentar se conectar a cada um destes murais, pois de forma discreta você pode até ter dicas de puzzles ou locais de interesse.

Uma raposa, muitos rostos

Uma das adições mais belas ao jogo está na diversidade de pelagens da raposa. São ao menos 25 estilos inspirados em espécies reais, míticas e lendárias. Temos até pelagens que são frutos de um concurso promovido pelos desenvolvedores da Infuse Studio, homenageando diretamente fãs e artistas da comunidade com dois modelos exclusivos. É um toque que reforça o cuidado da equipe com seus fãs.

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Vale dizer que o jogo possui um tipo de moeda representados por cristais e eles serão úteis na aquisição de itens, como os novos visuais para a raposa, por exemplo. Também há o Fogo-fátuo, um item que pode ser usado para restaurar a energia de alguns lugares. No entanto, caso você perecer, seus valores ficaram neste lugar – uma característica souls like. Embora seja fácil resgatar o que foi perdido, também será possível guardar suas coisas em uma espécie de depósito particular.

Há personagens que podem ser encontrados e que ajudam nossa raposa em sua jornada. O Guaxinim é um deles, ele vende cosméticos e runas que concedem novas técnicas para o jogador (além das belas tatuagens pelo corpo do personagem).

Há também uma árvore de upgrades para a raposa e para o corvo, permitindo aprimorar pontos como vida, resistência, capacidade de carga, tempo de habilidades como planagem. São aspectos que vão tornar a exploração ainda mais fluida e que instiga procurar em cada cantinho uma nova descoberta conforme evolui seus personagens.

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Som, silêncio e contemplação

O compositor Pav Gekko apresenta uma trilha sonora que é mais do que música: é atmosfera, ela acompanha a paisagem, reforça o mistério e sabe quando deve dar espaço ao silêncio, transformando o vazio em contemplação. O ambiente sonoro do jogo é sobrenatural e emocional, reforçando a ideia de que a jornada da raposa é mais sobre cura do que sobre combate, por isso não espere dificuldade neste sentido. Seria ainda melhor se houvesse sons das pegadas e de certa forma da respiração da nossa raposa.

Assim como no primeiro jogo, Spirit of the North II evita mensagens diretas. Ele te deixa refletir – sobre os guardiões, sobre o sofrimento daquele mundo, sobre a jornada da própria raposa. Cada jogador vai interpretar os acontecimentos à sua maneira, conforme seus conhecimentos e sensibilidades, o que faz com que a experiência seja única e subjetiva.

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Apesar de sua beleza e ambição, o jogo não escapa de alguns tropeços técnicos, que são semelhantes ao primeiro título. Há problemas de colisão com a câmera e dificuldades na precisão da mira para os saltos, além disso, algumas vezes o jogo travou por uns minutos quando habilitei o modo foto.

Outro ponto curioso foi a ausência de vibração durante toda a jornada, felizmente senti algumas diferenças após o patch de lançamento. As sensações táteis do Dualsense fariam um sucesso enorme, dada a imersão proposta pelo jogo, quem sabe em uma atualização futura. E, embora o PS5 tenha potencial de sobra, os portais de transporte resultam em telas de loading – Bem que poderia ir direto ao ponto como em Ratchet and Clank – Em Uma Outra Dimensão.

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Spirit of the North II não é um jogo para ser corrido ou extremamente desafiador. Ele é uma viagem por um mundo silencioso, belo e desolado, com histórias onde cada guardião pede compreensão em vez de julgamento. A raposa, é um símbolo de esperança, então caminhar por essas terras será uma tentativa de curar o que foi destruído.

Ainda bem que os problemas técnicos não impedem uma boa experiência e se a história anterior me encantou pela simplicidade, emoção e folclore, este me prendeu pela vastidão e profundidade. E assim como antes, saio dessa jornada com uma nova reflexão sobre o que pode (e deve) ser salvo, dentro e fora das telas.

88 %


Prós:

🔺Ambientação deslumbrante
🔺Narrativa que convida à reflexão sem depender de diálogos
🔺Mundo aberto vasto e misterioso
🔺Variedade de puzzles
🔺Personalização que inclui homenagens à comunidade
🔺Trilha sonora atmosférica e emocional

Contras:

🔻Problemas técnicos persistentes
🔻Falta de vibração e sensações táteis no DualSense
🔻Mira para saltos acabam sendo frustrante

Ficha Técnica:

Lançamento: 08/05/2025
Desenvolvedora: Infuse Studio
Distribuidora: Silver Lining Interactive
Plataformas: PS5, Xbox Series, PC
Testado no: PS5

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