Pokémon Pokopia chega como um dos experimentos mais ousados da franquia em muito tempo, desafiando a imagem embutida de Pokémon como série dominada por batalhas e ginásios para abraçar de forma sincera o universo dos cozy games.

Publicado exclusivamente para o Nintendo Switch 2, o jogo é uma simulação de vida em que o jogador constrói, planta, decora e cuida de um mundo em ruínas ao lado de Pokémon, com uma estética que lembra um cruzamento entre Minecraft, Animal Crossing e Dragon Quest Builders, porém com a assinatura emocional e o humor típico da Pokémon Company. Em vez de orientar tudo para o conflito, Pokopia opta pelo cuidado, paciência e reconstrução, criando uma experiência que, apesar de mansa, revela uma surpreendente profundidade narrativa e mecânica.

Um novo tipo de aventura

A história de Pokémon Pokopia começa num cenário desolado, em que Pokémon e humanos viviam em harmonia, mas o tempo e algum desastre indeterminado reduziram a paisagem a um mundo desolado, quase sem vida. O único morador visível é um Tangrowth, agora tratado como o Professor Tangrowth, que funciona como um guia solitário e um pouco filosófico sobre o que sobrou daquela época.

Pokémon Pokopia

É nesse contexto que o protagonista aparece: um Ditto. Em vez de ficar confinado em uma Pokébola, acorda transformado em forma humana, carregando não só os tradicionais olhos característicos da espécie, mas também uma vontade de reverter o caos ambiental e social. Pokopia possui um enredo relativamente simples, com foco em reconstruir a terra e, aos poucos, atrair outros Pokémon e até humanos de volta, transformando a região em uma verdadeira utopia pokémon, mas o caminho é cheio de pequenas descobertas, memórias espalhadas pelo cenário e personagens com histórias próprias que dão um tom melancólico e, ao mesmo tempo, esperançoso à experiência.

Em termos de jogabilidade, Pokopia se estrutura como um jogo de construção e simulação, onde o jogador começa praticamente do nada, com poucos recursos e poucas construções pré‑existentes. A cada interação com o entorno, o mundo se expande, permitindo coletar madeira, pedras, terra e materiais, transformá‑los em blocos e itens em uma bancada de trabalho e, então, montar estruturas, moradias específicas para Pokémon, jardins e áreas temáticas.

Pokémon Pokopia

O que diferencia Pokopia de outros títulos do gênero é o uso das habilidades de Pokémon como ferramentas do próprio jogador. Ao se aproximar de certos monstrinhos e ganhar sua confiança, o Ditto pode aprender golpes como Leafage de Bulbasaur, que passa a servir como uma ferramenta para fazer germinar o verde, permitindo plantar capim e arbustos em áreas antes estéreis, ou Water Gun de Squirtle, que funciona simultaneamente como regador de plantas e restaurar a umidade de solo ressecado. Essas habilidades não são apenas cosméticas, pois elas mudam o modo como o jogador lida com o ambiente, transformando o tradicional ciclo de batalha em um ciclo de criação e reconstrução.

Um universo colorido para chamar de lar

Pokémon Pokopia possui uma progressão baseada em níveis de ambiente e conforto, que são medidos pela presença dos Pokémon na área, pela qualidade das construções e pela variedade de elementos naturais. À medida que o jogador planta, constrói abrigos adequados e atende pedidos específicos de alguns Pokémon, o nível da região aumenta, liberando novas receitas de crafting, novos tipos de mobílias e até novas áreas para explorar.

Pokémon Pokopia

Além disso, o Pokopia possui um calendário de dias e estações que influencia o tipo de Pokémon que aparece, as plantações que prosperam e as atividades que podem ser feitas em determinado momento, o que adiciona uma camada de rotina e planejamento, seguindo a cartilha dos melhores jogos de simulação. O ritmo é propositalmente lento, de forma que o jogador não corre contra inimigos, ao mesmo tempo em que o tédio é combatido pelo excelente ritmo de compensação e conquistas, sem contar todo ambiente amigável, fofinho, carismático e uma jogabilidade simplesmente viciante por sua simplicidade.

Engraçado perceber que a Nintendo vem perdendo o medo em ousar, refletindo essa posição também na franquia Pokémon. Pokopia, por exemplo, abraçou a versatilidade ao escolher um Ditto como protagonista e um elemento estrutural do design desse jogo. Sendo uma espécie que naturalmente copia outras, o Ditto oferece uma liberdade de adaptação que raramente vemos em jogos de Pokémon, porque sua identidade é, por definição, mutável.

Pokémon Pokopia

Ao longo de Pokémon Pokopia, você pode habilitar novas habilidades de movimentos que permite “transformar” o próprio estilo de jogo dependendo do Pokémon que está acompanhando, ligando diretamente a história, evolução do jogo e as centenas de missões. Construir, destruir e reconstruir são verbos fundamentais nessa nova linguagem que a Koei Tecmo e Game Freak trouxeram para essa inovadora maneira de jogar Pokémon. Inclusive, outro verbo nesse idioma de Pokopia é “esperar”, fazendo com que você precise aguardar as tarefas serem concluídas e sem usar atalhos para agilizar a vida nesse mundinho.

A arte e o som que abraçam

Além disso, o jogo traz uma grande ênfase em modo cooperativo, com até quatro jogadores construindo e decorando cidades juntos, enviando Pokémon para ajudar em áreas específicas e até organizando festas para socializar, incluindo a facilidade de jogar com amigos através do GameShare, com a oportunidade de tirar fotos e compartilhar os próprios projetos de mundo. Tudo numa aposta única e claramente uma grata evolução de aprendizados com Animal Crossing.

Pokémon Pokopia

A direção de arte de Pokémon Pokopia é uma das grandes responsáveis pela sensação de aconchego desse título. O jogo utiliza um visual colorido e limpo, com blocos e texturas levemente estilizadas, que remetem tanto a jogos de construção quanto à estética clássica de Pokémon, só que adaptada para um universo mais doméstico. Os cenários começam monocromáticos e vazios, mas, à medida que você avança, o mapa se transforma em um mosaico que esbanja cores e personalidade.

A trilha sonora também consegue acompanhar essa intenção de conforto, com composições leves, que evocam tanto a calmaria de cuidar do próprio jardim quanto a nostalgia de um mundo antigo tentando ressurgir. Cada região do jogo carrega um tema próprio, com variações melancólicas para áreas em ruínas e temas mais alegres quando o nível de conforto aumenta, o que cria uma ligação sutil entre o som e o estado emocional do ambiente.

Pokémon Pokopia

Em conjunto, direção de arte e trilha sonora funcionam como uma espécie de abraço constante para o jogador, recompensando cada passo dado na reconstrução com uma sensação de pertencimento e de realização que poucos jogos de Pokémon haviam conseguido transmitir de forma tão tranquila.

Pokémon Pokopia é um jogo que finge lidar apenas com blocos e construções, mas, na verdade, está falando sobre negligência, reconstrução e cuidado. Ao trocar batalhas por jardinagem, competição por cooperação e monotonia competitiva por paciência criativa, Pokopia não apenas entrega uma experiência confortável (cozy) de qualidade impecável, mas também abre uma nova porta para o que a franquia pode ser para quem não quer competições, trocando as Pokébolas pela pausa na correria da vida para construir algo enquanto sente um abraço aconchegante e recompensador.

100 %


Prós:

🔺Criatividade em unir o gênero cozy game e Pokémon
🔺Mecânica de transformação de Ditto
🔺Simplicidade dos controles e habilidades
🔺Liberdade com missões e construções
🔺História emocionante e melancólica
🔺Arte e trilha sonora que abraçam
🔺​Muito conteúdo e colecionáveis para jogar


Contras:

🔻Sentar e esperar as coisas acontecerem pode ser um problema para alguns

Ficha Técnica:

Lançamento: 05/03/2026
Desenvolvedora: Koei Tecmo, Game Freak
Distribuidora: Nintendo
Testado no: Switch 2

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