Patapon 1+2 Replay chego em julho celebrando quase duas décadas de um dos títulos mais singulares e criativos já lançados para consoles portáteis. Numa coletânea desenvolvida pela SAS e publicado pela Bandai Namco, o pacote reúne dois clássicos que encantaram no PlayStation Portable, revitalizados para a nova geração e conseguindo manter a essência que tornou a série cultuada. Este resgate histórico é fundamental, não só pela nostalgia, mas porque permite a novas gerações vivenciar a explosão criativa do início dos anos 2000.

A partir de uma proposta ousada, Patapon nasceu com a ideia de misturar ritmo, estratégia e narrativa em um só jogo, nos tempos áureos do PSP. Criado por Hiroyuki Kotani com design de personagens do artista francês Rolito, o conceito original surgiu a partir de simples esboços, com olhos sobre pernas, carregando armas, que logo evoluíram para uma tribo carismática em busca da lendária Earthend. O som dos tambores foi uma inspiração essencial desde o início, refletindo tanto rituais tribais quanto batalhas históricas comandadas pela música, uma ligação que Kotani considerou vital para traduzir o sentimento de comando divino, já que o jogador assume o papel de Deus dos Patapons, e comunicação quase mística com os pequenos seres.

Patapon 1+2 Replay

Pura nostalgia papaya!

Através de comandos musicais com “pata”, “pon”, “don” e “chaka”, você será transformado no condutor de um exército guiado pelo ritmo. Assim, Patapon não apenas inovou com sua proposta artística e narrativa, mas também impulsionou o gênero dos jogos de ritmo, unindo percussão, estratégia e interatividade como nunca antes. Sua influência pode ser sentida em títulos posteriores ao mostrar como a música pode ser elemento central mecânico, estético e até emocional para o progresso e a identidade de um jogo. Esse resgate de Patapon em uma coletânea remasterizada é uma celebração ao impacto duradouro que a franquia provocou na forma como jogamos, ouvimos e sentimos os jogos até hoje.

Como Deus dos Patapons, o jogador lidera o povoado por cenários repletos de cores e ameaças inusitadas, guiando tudo ao ritmo dos tambores. Em Patapon 1, o enredo é mais direto e apresenta a jornada épica contra os Zigotons, a tribo rival, numa busca dos obstinados Patapons por “IT”. Já em Patapon 2, a narrativa avança com a promessa de uma nova terra, mas após construírem um navio para atravessar o mar, Patapons e Zigotons são atacados por um Kraken e naufragam em terras desconhecidas, enfrentando agora uma nova tribo, os Karmen. O jogo aprofunda o lore ao introduzir a figura do Heropon, um herói misterioso e central para a trama, e expande os conflitos para um nível mais cósmico e introspectivo, ampliando o escopo da aventura.

Patapon 1+2 Replay

Ao jogar, você perceberá que nas mecânicas, Patapon 1 apresenta comandos rítmicos simples com quatro tambores que movimentam, atacam e defendem, apostando em poucas classes de unidades ao oferecer Hatapon, Tatepon, Yaripon, Yumipon, Kibapon, Dekapon e Megapon. Em Patapon 2 temos uma liberdade maior e mais estratégia por contar com um sistema que adiciona novas unidades como Toripon (cavaleiros aéreos), Robopon (robôs), Mahopon (magos) e, principalmente, o Heropon, um herói único capaz de adotar diferentes classes e realizar ataques especiais durante o modo Fever. Além disso, a sequência introduz uma árvore evolutiva para criar Patapons raros, upgrade de nível com um “quê” de RPG, e uma variedade ainda maior de armas e habilidades, tornando o jogo mais denso, personalizável e desafiador.

Criativo, porém limitado don don!

Visualmente, ambos brilham em alta definição com imagem limpa, cores vibrantes e animações suaves, elevando ainda mais a icônica direção de arte baseada em silhuetas. A diferença técnica principal em Patapon 1+2 Replay está nas melhorias gráficas uniformes aos dois jogos, fazendo com que ambos ficassem mais próximos, já que Patapon 2 trazia, desde o original, novos cenários e personagens, além de efeitos especiais mais detalhados para as batalhas e habilidades. Já a trilha sonora dos dois jogos permanece como um espetáculo à parte, construída a partir do ritmo dos comandos, e crescendo com o segundo jogo pela expansão do repertório instrumental que acrescenta variações de melodias conforme tipos de tropas e chefes, tornando a experiência ainda mais envolvente.

Patapon 1+2 Replay

Entre as novidades da coletânea, as melhorias de qualidade de vida se resumem em ajustes de dificuldade, que podem ser configurados por fases de cada um dos dois jogos, exibição permanente dos comandos com os tambores, além de melhorias nos menus e atalhos para equipar armas, permitindo uma experiência fluida e moderna. No entanto, o temporizador ajustável para comandos, com nível de input timing, não deveria existir e complica muito a precisão dos comandos. Por tratar-se de uma geração mais atual, você precisa regular no menu principal o quanto você imagina precisar eliminar ou acrescentar de delay para testar durante o jogo, num sistema nada intuitivo e que poderia ser eliminado por conta da comunicação atualizada entre consoles e TV ou monitores.

Ainda em problemas, que estão ligados ao input de comandos e o ritmo, o modo Fever é um desafio adicional por conta do delay que o jogo trouxe. Depois de atingir os 10 comandos com perfeição, você precisa manter a batida dos tambores para aproveitar o aumento de poder e o uso de habilidades, porém os desenvolvedores complicaram em como manter ativo esse especial pelo simples fato do comando não entrar perfeitamente, mesmo com diversas tentativas de correção no atraso dos comandos. O que já era uma tarefa difícil no PSP ficou ainda pior, principalmente no Switch 2 enquanto está na dock.

Patapon 1+2 Replay

Outro ponto negativo que pode pesar para os jogadores mais novos é a sensação de repetição nos dois títulos, principalmente porque em Patapon 2 o aumento do grind e da exigência de materiais para evoluir suas tropas torna-se mais presente, gerando uma curva de progresso ainda mais lenta. Some ao fato da coletânea não trazer conteúdos extras sobre a franquia, o desenvolvimento dos jogos e o conteúdo da era PSP, para preservar ainda mais o legado histórico, para gerar a dúvida sobre pagar um valor alto por o que pode parecer uma simples emulação em alta qualidade.

Escolhas pon pon pon polêmicas

Dividindo opiniões, Patapon 1+2 Replay trouxe o modo multiplayer como diferencial exclusivo apenas para a versão de Nintendo Switch, em que até quatro jogadores podem se conectar localmente para explorar juntos desafios cooperativos, numa experiência que resgata os elementos de multijogador presentes no Patapon 2 original. Nesse modo, cada jogador assume o papel de um comandante para liderar suas tropas Patapon em missões especialmente desenhadas para a cooperação e que são divididas em duas etapas: trabalhar juntos para atravessar áreas cheias de inimigos e obstáculos, conquistando um grande ovo, e depois sincronizando comandos rítmicos para realizar um ritual capaz de chocar o ovo, liberando recompensas para customização dos Patapons e que vão auxiliar no progresso da campanha principal.

Patapon 1+2 Replay

Infelizmente não existe uma alternativa online, muito menos para as demais plataformas, porém mesmo com isso não se preocuparam em adaptar o desenho dos ícones nos tambores para seguir essa exclusividade do Switch. Você precisará ter em mente que quadrado, triângulo, xis e círculo estão nas respectivas posições de Y, X, B e A, o que pode gerar uma confusão extra para quem não tem familiaridade com ambos os consoles.

O lançamento de Patapon 1+2 Replay chega num momento em que as publishers estão buscando apelar para a nostalgia, numa tentativa de entregar experiências que dialoguem com a geração atual sem perder o frescor e a criatividade de sua origem. Mesmo que simples e sem conteúdo extra, a remasterização publicada pela Bandai Namco oferece um pacote capaz de tornar dois clássicos do PSP relevantes tanto para veteranos quanto para quem descobre a série pela primeira vez.

No fim, Patapon 1+2 Replay é mais do que uma simples coletânea remasterizada, conseguindo ser um tributo inteligente à evolução da série, apresentando tanto os fundamentos inventivos do primeiro capítulo quanto a ousadia e expansão de possibilidades de sua sequência. Os títulos se complementam, mostrando como um conceito simples pode se desdobrar em profundidade, criatividade e desafio, marchando sempre ao ritmo imortal do pata-pata-pata-pon e abrindo caminho para quem tiver curiosidade em experimentar Patapon 3.

68 %


Prós:

🔺Ainda é muito único e viciante
🔺Direção de arte estilizada e atemporal
🔺Trilha sonora envolvente e muito integrada ao gameplay
🔺Melhorias com foco em qualidade de vida e acessibilidade
🔺Patapon 2 é fundamental para deixar a coletânea ainda melhor

Contras:

🔻Falta de conteúdo extra para reforçar o resgate histórico
🔻Problema no input timing dificulta a simplicidade dos comandos
🔻Interface não adaptada para Nintendo Switch ou PC
🔻Curva de progressão pode ser repetitiva e entediante
🔻Ausência de Patapon 3 faz com que essa não seja uma coletânea definitiva

Ficha Técnica:

Lançamento: 10/07/2025
Desenvolvedora: SAS Co.
Distribuidora: Bandai Namco
Plataformas: PC, Switch, PS5
Testado no: Switch 2

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