Em 2019, a região desolada e pós-apocalíptica de Cascades, no Oregon, já era de tirar o fôlego, proporcionando uma experiência muito além do esperado, mesmo explorando um tema já tão saturado: zumbis. Seis anos depois, Days Gone Remastered chega para mostrar que os artistas da Bend Studio buscaram formas de aprimorar o que já era muito bom.
À primeira vista, as mudanças podem parecer sutis – seria essa uma fórmula da Bend Studio? Afinal, a narrativa também se aprofunda aos poucos até revelar sua verdadeira densidade. Ficou curioso? Dá uma olhada na nossa review do game lá de 2019 que você vai entender. Mas, se você pretende encarar novamente a velha estrada, recomendo continuar a leitura e se preparar para uma experiência deslumbrantemente melancólica, que traz ainda mais profundidade ao jogo.

I’m Back, Freakers!
Vale destacar que essa análise foca nas diferenças encontradas em Days Gone Remastered. E sim, há várias espalhadas ao longo de todo o conteúdo. Embora a história permaneça a mesma, a experiência é renovada com um toque mais profundo e imersivo.
Se você já vivenciou a jornada de Deacon, pode aproveitar seus dados salvos do jogo original. Isso traz algumas vantagens, caso já tenha concluído a campanha anteriormente. Agora, se for sua primeira vez nesse universo, encontrará diferentes níveis de dificuldade e, como de praxe, há opções para todos os gostos.
A grande novidade nesta remasterização é o modo speedrun, que te desafia a fechar o jogo no menor tempo possível em cada uma das seis dificuldades. E talvez o mais insano: o modo Morte Permanente, onde, se você morrer, a história recomeça. É possível definir se o recomeço será a partir do último ato concluído ou realmente do início da campanha – ideal para os mais corajosos.

Independentemente do modo escolhido, as mecânicas permanecem intactas. Deek conta com armas brancas, de fogo, armadilhas e, claro, sua motoca, que exige cuidados constantes, como na vida real. Então se esquecer de abastecer, vai se arrepender.
Como sempre, os recursos são limitados. Isso exige atenção na hora de usá-los. Agora o jogo inclui uma camada de acessibilidade com diversas opções que vão desde imagem em alto contraste até um efeito sonoro no controle, emitido ao se aproximar de um item importante. Confesso que me confundiu um pouco com as batidas do coração do personagem – às vezes não sabia se estava em perigo ou perto de algo útil.
Falando em DualSense, o uso do controle é um espetáculo à parte, ele transforma o asfalto, o frio e a tensão em sensações físicas a ponto de ficar difícil pensar em outra forma de jogar. Os gatilhos adaptáveis, aliás, trazem mais profundidade tanto para a condução da moto quanto para o uso das armas.

A trilha sonora que ecoa o fim do mundo
A trilha sonora também se destaca. Composta por Nathan Whitehead, ela capta as sensações de um mundo em ruínas por meio de violões e pianos que mesclam beleza e brutalidade. A nova mixagem aprimora essa experiência, e promete muito mais se combinada com a tecnologia Tempest 3D Audio – deve ser ainda mais imersivo com os fones Pulse.
Entre as melhorias técnicas, a qualidade de imagem é a mais intrigante e que gerou discussões. Desde já, sabemos que houve avanços em resolução, iluminação e detalhamento de cenários distantes. E embora o jogo já fosse muito bonito em 2019, a nova versão consegue se justificar, especialmente quando comparamos lado a lado.
Tenho um PS4 Fat e instalei as duas versões para comparar. No PS4, o jogo continua impressionante, ainda que faça o console quase levantar voo. Já no PS5 Slim, a diferença salta aos olhos: ambientes mais vivos, texturas nítidas e fluidez que valoriza o ritmo acelerado da jogabilidade.

Um mundo sem travamentos
Há dois modos gráficos: o Modo Qualidade, com 4K a 30 FPS, e o Modo Desempenho, com resolução dinâmica de 1440p (fazendo upscaling para 4K) a 60 FPS. Honestamente, é fácil abrir mão do 4K nativo, já que a fluidez dos 60 FPS é muito mais impactante, especialmente nas sequências de ação.
Apesar da beleza da versão original, é inegável que Days Gone Remastered traz melhorias notáveis. Aqui, não há mais objetos “pipocando” na tela ou personagens incompletos. Também não percebi nenhum travamento durante minha jogatina, um avanço bem-vindo.
A qualidade visual é acompanhada de um sistema de iluminação aprimorado. O pôr do sol parece uma pintura; a neblina e a chuva tornam a travessia pelo Oregon ainda mais densa e angustiante. O modo foto também foi atualizado, permitindo capturar esses momentos com ainda mais beleza, basta explorar as novas ferramentas oferecidas.

Não tivemos adições à história, de fato, mas as melhorias técnicas, visuais e sensoriais proporcionam uma profundidade inédita à jornada. Um detalhe curioso (e cômico): Deacon agora tem uma lanterna pendurada no peito, mas a luz ainda vem de qualquer lado, dependendo da câmera. Pô, Bend… tá de brincadeira, né?
O novo modo Desafio de Hordas fecha o pacote de novidades. Enquanto os desafios da versão original eram semanais e com objetivos variados, aqui temos um modo arcade de sobrevivência. Explore, planeje, reúna, crie e enfrente hordas (algumas gigantescas!) para sobreviver o máximo possível.
Quanto mais tempo resistir, maiores serão suas recompensas: cosméticos, injetores, personagens inéditos (são 18 no total!). É um modo mais solto, quase terapêutico, ideal para quando você só quer sentar e detonar inimigos sem se preocupar com a história.

Vale o upgrade?
Se você já tem a versão de PS4 (física ou digital), pode jogá-la no PS5. Mas, se quiser experimentar todas as novidades técnicas e novos modos, será necessário pagar pelo upgrade ou adquirir a versão remasterizada diretamente. Isso nos leva ao questionamento inicial e, honestamente, encaro como algo que eu não pedi, mas adorei que fizeram.
Days Gone Remastered vai além de um simples upgrade visual: ele oferece uma nova forma de sentir esse mundo. Se você achava que já tinha vivido tudo com Deacon, prepare-se para redescobrir essa jornada com novos olhos e, principalmente, com novas sensações nas mãos.
Prós:
🔺Melhorias perceptíveis em resolução, iluminação e fluidez
🔺DualSense é imersivo e traz uma nova dimensão à experiência
🔺Modos Speedrun e Morte Permanente garantem o replay
🔺Redução nos tempos de loading
🔺Hordas reformuladas são divertidas e viciantes
🔺Novas opções de acessibilidade e modo foto mais completo
Contras:
🔻A história permanece exatamente a mesma
🔻A lanterna de peito é estética apenas, não condiz com a direção da luz no jogo
🔻Feedback sonoro do controle pode causar confusão durante a jogatina
🔻Upgrade não gratuito pode desmotivar quem já possui a versão de PS4
Ficha Técnica:
Lançamento: 25/04/2025
Desenvolvedora: Bend Studio, Climax Studio
Distribuidora: Sony Interactive Entertainment
Plataformas: PS5, PC
Testado no: PS5


