Bionic Bay é aquele tipo de jogo que chega devagar, mas que aos poucos consegue ir conquistando aos poucos e quando você percebe, já fisgou você por completo e não solta mais. A Psychoflow Studio, junto da Mureena Oy e com o selo da Kepler Interactive, entrega um jogo plataforma que parece ter saído direto de um laboratório em que alguém misturou Limbo, Inside e um pouco daquele tempero ácido que Super Meat Boy consegue carregar pela dicotomia entre ódio e amor, tudo para ver como seria esse resultado. Resultado? Um jogo muito interessante e desafiador.

Em Bionic Bay, a história é como um sussurro, falando baixo por trás de tudo o que está acontecendo. Você controla um cientista que, depois de um experimento dar ruim, acorda em um mundo biomecânico que parece ter sido desenhado por alguém que assistiu Blade Runner e Akira na mesma noite. Não espere diálogos longos ou cutscenes explicativas, pois a narrativa está em todo o ambiente, cheia de silêncios e detalhes escondidos nos cantos escuros do cenário. É o tipo de história que te faz pensar e, se bobear, até filosofar sobre o que pode ter acontecido pelos cenários que você passou.

Uma narrativa ambiental

Feita a devida introdução, vamos ao que interessa: o gameplay de Bionic Bay. Para a jogabilidade, os desenvolvedores da Psychoflow não querem apenas desafiar os jogadores, eles querem fazer com que você se sinta parte do quebra-cabeça. A grande sacada aqui é a mecânica de swap, em que você pode trocar de lugar com objetos e inimigos, o que abre um leque absurdo de possibilidades para resolver puzzles e escapar de armadilhas. Some isso a um sistema de física que brinca com o realismo e você tem um prato cheio para quem curte usar a cabeça e os reflexos. Aqui, não adianta apenas pular de plataforma em plataforma, pois você precisa aprender como manipular a gravidade ao seu favor, como controlar o tempo e sua força para arremessar objetos, criando novas rotas.

Bioc Bay não pega leve, mas também não é injusto. Os desenvolvedores posicionaram os checkpoints para garantirem que a frustração nunca se torne algo negativo, mas que todo esse processo de aprendizado através da tentativa e erro some à vontade de tentar mais uma vez. E se você é do tipo competitivo, o modo online de speedrun existe para você comprovar sua capacidade em internalizar todas essas propostas de mecânicas trazidas para o gameplay, exibindo seu desempenho perante aos demais jogadores.

Como se não bastasse tudo isso para se mostrar como um jogo realmente interessante, Bionic Bay é um colírio para quem gosta de pixel art com personalidade. Visualmente, o jogo brinca com luz e sombra de um jeito que lembra muito o trabalho de Roger Deakins no cinema, responsável pela fotografia e característica de filmes como, por exemplo, Blade Runner.

Espetáculo a partir de influências

Seguindo esse estilo, tudo é meio sombrio, meio industrial, mas com uma beleza estranha que te faz querer explorar cada cantinho. Caminhando lado a lado, a trilha sonora alterna entre o silêncio quase opressor e faixas que parecem ter sido compostas dentro de uma fábrica abandonada. Os efeitos sonoros são precisos, reforçando o clima de tensão e solidão. É aquele tipo de direção de arte que não grita, mas impregna sua mente para criar aquela dúvida sobre “será que tem algo de errado por aqui?”.

Assim como em todos os jogos, nem tudo são flores. Bionic Bay brilha na direção de arte, na trilha e nas mecânicas, mas peca um pouco na narrativa, por não trazer uma história palpável e, com o alto nível de dificuldade, não pode ser considerado um jogo que pensa em ser acessível para quem está chegando agora nesse gênero, o que pode afastar parte do público curioso. No entanto, vale todo esforço e investimento de tempo, pois você está prestes a encarar um jogo que, além das influências já citadas, não se preocupa em escancarar a presença forte de Mega Man, Another World e Oddworld, além daquele toque de ficção científica que só quem cresceu assistindo anime dos anos 90 vai sacar de primeira.

Comparando aos outros jogos do gênero e que já citei anteriormente, Bionic Bay consegue competir num mesmo patamar de qualidade e competência. Aprendendo com suas referências e evoluindo o que já conhecemos, os desenvolvedores conseguiram pegar a precisão de Super Meat Boy, a atmosfera densa de Inside e Limbo, e adicionaram seu próprio DNA com as mecânicas que trouxeram uma identidade única ao jogo. Se você curte jogos de plataforma que não brincam em serviço ou tratam você como criança, com certeza esse será o seu jogo do ano.

No fim das contas, Bionic Bay é aquele indie que pode até ter chegado sem muita receptividade, mas que aos poucos vem ganhando notoriedade, pois é impossível jogar e não querer indicar para todo mundo. Desafiador, belíssimo e inovador na medida certa, extrapolando as fórmulas do seu próprio gênero, com certeza é a melhor opção para quem busca algo além do óbvio no mundo dos títulos plataformas. Infelizmente não é para qualquer um, mas quem embarcar nessa jornada vai sair grato e transformado.

100 %


Prós:

🔺Mecânicas que buscam inovar o gênero
🔺Direção de arte impressionante
🔺Trilha sonora e ambientação imersivas
🔺Desafio na medida certa para fãs do gênero
🔺Modo speedrun online amplia o replay

Contras:

🔻O jogo poderia ser mais longo
🔻Dificuldade elevada e pouca acessibilidade

Ficha Técnica:

Lançamento: 17/04/2025
Desenvolvedora: Psychoflow Studio, Mureena Oy
Distribuidora: Kepler Interactive
Plataformas: PC, PS5
Testado no: PS5

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