Future Knight chega como uma das propostas mais singulares do ano, misturando a estética de telas de cristal líquido dos antigos handhelds com um shoot ‘em up 2D de ação frenética e narrativa deliberadamente absurda.
Desenvolvido pela Studio Koba e publicado pela Aeternum Game Studios, o jogo se apresenta como uma experiência que vai além da nostalgia visual, entregando combates intensos, chefes memoráveis e uma direção de arte que funde o adorável com o grotesco em uma Tóquio retrofuturista.
Aventura de cristal líquido
A premissa de Future Knight é tão bizarra quanto cativante, então prepare-se! Em 23 de maio de 1993, a Senhora do Passado, líder da seita de pirâmide chamada Presente, acaba de lavar sua roupa íntima e, de quebra, apagou o cérebro de toda a humanidade. Cabe a você, um robô construído ao longo de 30 anos a partir dos restos de um ator de novelas dos anos 90, deter essa catástrofe viajando exatamente oito horas antes do apocalipse. Cada nível representa uma hora na agenda dessa senhora antes que ela execute o apagão massivo de memória, e sua missão é sabotar o dia dela desde o passeio no parque até a refeição em um buffet livre.

Essa estrutura de oito mundinhos correspondendo a oito horas cria uma sensação de urgência constante, com o relógio correndo contra o jogador enquanto ele enfrenta seitas de pirâmide e situações surreais em uma trama recheada de humor negro e sátira social. A narrativa menos pretensiosa e muito mais divertida se destaca pelas cenas que tornam a história surpreendentemente interessante.
Future Knight pode ser considerado um shoot ‘em up de ação 2D que busca na nostalgia das telas de LCD com a brutalidade do combate moderno, imaginando que seu velho console portátil ganha vida mas com uma história bizarra e combates frenéticos. A direção de arte única com o LCD ganhando vida também entrega animações fluidas desenhadas à mão que parecem manchas de tinta, fundindo o bonitinho desse estilo antigo com o grotesco em uma homenagem visual aos minigames portáteis dos anos 80 e 90.

O jogo se passa dentro da tecnologia de um minigame e de uma tela de cristal líquido, criando uma estética inquietante que mistura referências aos clássicos Game & Watch da Nintendo e às tranqueiras da Tiger Electronics, até mesmo os famosos Brick Games, com liberdades criativas que permitem rolagem suave de tela e animações impressionantemente fluidas. Essa escolha estética traz uma vantagem de otimização ao utilizar preto na criação de todos os personagens e inimigos, mas também limita a variedade visual das fases, que na maior parte do tempo percorrem áreas urbanas em uma cidade inteira.
A ação acontece utilizando uma estética para sprites monocromáticos e fundos que lembram desenhos estáticos em cores simples, com um filtro bastante eficaz para a profundidade da camada de jogo e o fundo projetando uma sombra sob cada elemento móvel de cor preta. Embora não existam as restrições presentes nos aparelhos com tecnologia de calculadora, a proposta de telas de LCD fixas faz com que o visual das fases possa ficar repetitivo, mesmo com as tentativas de diferenciar cada mundo.

Future Knight entrega todo seu carisma através dos dois personagens, com o Cavaleiro do Futuro, que da nome ao jogo, representando os músculos, disparando seu Techno Blaster de plasma quântico, dando mordidas letais, rolando para esquivar e desatando o caos com armamento pesado. Enquanto o Two More é a agilidade, um tumor benigno inexplicavelmente poderoso e com vida própria que vive dentro do robô e pode ser ejetado para realizar Super Dashes letais, escalar paredes com sua viscosidade natural, atirar à curta distância e se espremer em lugares apertados.
Entre músculos e agilidade
Os desenvolvedores criaram uma fórmula divertida e interessante exigindo que você alterne entre os dois personagens instantaneamente, recuperando a vida de Future Knight usando o Two More e recarregando a energia do Two More usando o Future Knight para criar quase como uma dança que serve para aniquilar inimigos, sempre com muito estilo. A mecânica se baseia em alternar entre a armadura e o tumor nos momentos certos, com o tamanho reduzido de Two More sendo ideal para ambientes fechados e para superar barreiras especiais com seu dash direcional, enquanto o cavaleiro futurista se mostra mais seguro em áreas de plataforma e em situações em que a tela está repleta de perigos.

Future Knight consegue progredir na questão de risco e recompensa ao avançarmos no jogo, com inimigos carregando escudos que só podem ser eliminados lançando seu parceiro contra eles, exigindo que você domine o as habilidades dos dois personagens. Perder todas as três barras de energia libera o tumor Two More do corpo, e embora ele morra com um único acerto, mantê-lo fora de perigo por alguns segundos permite que Future Knight se regenere, criando momentos tensos de decisão estratégica.
Os controles são responsivos e precisos, permitindo que você corra e atire, trave para disparar em várias direções, execute rolamentos e ataque corpo a corpo em situações de extremo perigo. A jogabilidade de Future Knight é simples e traz uma dinâmica divertida de ser aprendida, criando um ritmo que talvez seja encarado como repetitivo, mas o jogar é divertido o suficiente para manter você engajado.

A direção de arte de Future Knight é sem dúvida seu maior trunfo, apresentando uma estética diferenciada muito inspirada na tecnologia do Game & Watch e absurdamente bem animada, com sprites em preto nítido e enevoados sobre fundos em cores pastéis translúcidos que criam um charme minimalista e orgulhosamente estranho. A obra resgata com várias liberdades as produções lançadas nos minigames de LCD, optando por uma estética para sprites monocromáticos e fundos que lembram desenhos estáticos em cores simples, com animações que parecem manchas de tinta se movendo de uma forma que você nunca viu antes.
Infelizmente Future Knight não possui uma trilha sonora tão interessante quanto a direção de arte, mas ela surpreende por trazer elementos sonoros com baixa qualidade, combinando com a atmosfera bizarra da aventura, assim como a música estranha que acompanha a excentricidade desse jogo indie.

Por fim, Future Knight apresenta uma experiência que vai além de sua proposta estética nostálgica, entregando um shoot ‘em up 2D com identidade própria que equilibra ação frenética, narrativa absurda e direção de arte muito única. Embora apresente limitações na variedade de armas e um leve cansaço pela repetição visual das fases, o jogo compensa com todo o restante. O trabalho do Studio Koba e da Aeternum Game Studios entrega uma homenagem criativa aos minigames de LCD dos anos 80 e 90, oferecendo uma campanha curta mas intensa que vale cada minuto que você tem para salvar a memória humana antes que a Senhora do Passado execute seu plano insano.
Prós:
🔺Estética inspirada na tecnologia dos anos 90
🔺Narrativa bizarra e com sátira social
🔺Jogabilidade simples e responsiva
🔺Divertido e nostálgico
Contras:
🔻Falta de variedade em armas ou habilidades
🔻Visual das fases repetitivo devido à proposta de telas de LCD fixas
Ficha Técnica:
Lançamento: 13/08/2026
Desenvolvedora: Studio Koba
Distribuidora: Aeternum Game Studios
Plataformas: PC, Switch 2, PS5
Testado no: PC


