A Cold Symmetry se superou grandiosamente com Mortal Shell II. Caso tenha jogado o primeiro game, de 2020, irá facilmente notar o salto de qualidade. E olha que estamos falando de um jogo feito por um estúdio indie, cujo sucesso de vendas do título original garantiu à eles a possibilidade de desenvolver uma sequência ainda maior e melhor. Nem todo mundo gosta do primeiro jogo, mas Mortal Shell II ficou bom demais para ignorar. Se você curte soulslike e ficou órfão de Elden Ring, eis o jogo perfeito para investir muitas horas.

Na trama, controlamos o Arauto, que recebe a missão de recuperar os ovos sagrados (Ovum) roubados da Mãe Umbral, uma divindade benevolente. Seu objetivo é enfrentar os falsos deuses e expurgar os monstros e criaturas que dominaram este mundo, agora mergulhado nas sombras. E para isto, o Arauto conta com 8 carcaças de guerreiros para encontrar e tomar posse de seus corpos e habilidades distintas.

Mortal Shell II

Os oito guerreiros perdidos

Assim como no game anterior, em Mortal Shell II os heróis representam classes diferentes para o jogador testar habilidades e builds conforme seu gosto pessoal no combate. A evolução de cada um se dá por memórias encontradas pelo jogador e levadas até Zhirelle, a guardião das carcaças que reside no Covil Lúgubre, a hub central de Mortal Shell II. Através dela você visita tais memórias para compreender o passado glorioso de cada herói, seja fazendo o bem ou o mal. Com ela você também gasta os pontos de vislumbre para aumentar o vínculo da carcaça, que se estende até o nível 4 e desbloqueia um total de 12 habilidades com evoluções de status individuais.

O cavaleiro Eredrim, sua carcaça inicial, e o acólito Tiel fazem o seu retorno, enquanto os outros 6 guerreiros são inéditos: Proxima, Lazlo, Smert, Gragu, Genessa e Sariel. Cada um com suas habilidades próprias, para situações estratégicas diferentes, sendo interessante alternar entre eles para não limitar suas opções. Claro, você irá definir os seus favoritos com o tempo, mas haverão momentos em que os inimigos te baterão com tanta força que será preciso testar coisas novas. Só não vale escolher a Prox somente para ver suas curvas avantajadas.

Mortal Shell II

Também diferente do primeiro Mortal Shell, a sequência traz um mundo aberto com diversas regiões para explorar, começando por Fainweald após um tutorial inicial. Não chega a ser denso como Elden Ring, que inclusive abusa da verticalidade e áreas secretas, mas o game dá liberdade total para encarar as regiões e os chefões na ordem que desejar. As dungeons são numerosas e geralmente rápidas de completar, algumas sendo mais amplas e complexas, incluindo puzzles pra solucionar e até chefes que protegem uma recompensa maior.

Aqui entra o primeiro problema de Mortal Shell II: ao concluir as dungeons, o jogador precisa marcá-las manualmente como concluídas no mapa. Entrou, fez tudo e esqueceu de marcar? A chance de entrar novamente de bobeira será grande. Isso tinha que ser automático. O segundo problema vem com a trilha sonora, muito boa porém extremamente limitada e que se repete constantemente. Até nas batalhas contra os chefões toca a mesma música. Perdeu-se aqui a chance de impactar o jogador com uma trilha mais variada e épica.

Mortal Shell II

O mundo temeroso de Mortal Shell II

A Cold Symmetry capricou demais em seu mundo “Giger-like”. O level design do mapa é primoroso, lotado de detalhes em suas áreas e dungeons, evitando ao máximo cair em repetições. Conseguiram criar um mundo distinto, com características únicas no gênero. E minha nossa, que mundo opressor! Os inimigos e até os NPC são assustadores, incluindo seu guia Ruk, uma espécie de corvo gigante e cadavérico. E a todo momento você fica tenso, à beira da morte, correndo atrás de um bastião para se salvar e recuperar o fôlego.

Por falar nos bastiões – onde você descansa, sobe de nível com os vultos (XP) coletados, faz melhorias de capacidade e eficiência do Arauto, troca de carcaça, equipamentos e vestimentas, dentre outras opções -, eles trazem dungeons próprias com recompensas após serem purificados. Permitem também a viagem rápida entre outros bastiões, bem como voltar para o Covil Lúgubre. É lá onde você faz as melhorias nas armas e pedras Tar com o ferreiro Franz, vende e compra coisas com o mercador Merrick, etc. Fora do covil, há outros NPCs pelo mundo para te ajudar em sua jornada.

Mortal Shell II

As pedras Tar, essenciais para a evolução do gameplay, trazem melhorias de suporte, combate, infusões (em armas) e habilidades. Dá pra equipar várias ao mesmo tempo, desde que sejam compatíveis com o herói e equipamentos selecionados, e elas também evoluem individualmente conforme a frequência de utilização. De modo geral, tudo foi evidentemente inspirado por Elden Ring. E, mesmo assim, não tem nada copiado descaradamente. Mesma coisa no combate, que se apresenta bastante responsivo e com uma abertura maior de tempo para reagir com parry.

Apesar do combate ser extremamente divertido e bem polido, nem sempre você estará imune aos bugs. Pelo menos não neste período de pós-lançamento, apesar de recentemente ter saído o update da Semana 1 com várias correções. Já fiquei preso no cenário, após tomar ataque e ser empurrado contra uma área tecnicamente inacessível, bem como cansei de ver a invocação do Grisha bugar e não atacar os inimigos, ou também ficar preso no cenário.

Mortal Shell II

Embora estes e outros problemas ocorram de vez em quando, como a câmera ficar maluca em lugares apertados, Mortal Shell II é certamente o soulslike mais caprichado que temos no momento. Visualmente, não tenho nem o que falar, tanto que fiz questão de jogar (e capturar as imagens deste review) em ultrawide no PC. Segundo os desenvolvedores, o game foi concebido para jogar na resolução 21:9, para ter a imersão completa.

De noite, o bicho pega

Mortal Shell II oferece cerca de 30 horas de duração para fazer boa parte do conteúdo. Ou até o dobro disso pra alcançar os 100%, caso estiver no veneno de achar tudo e testar várias builds diferentes a bel-prazer. Só de ter armas secundárias baseadas em efeitos de longo alcance, incluindo um alaúde pra tocar e atordoar os inimigos, as possibilidades aumentam bastante. Somando às habilidades dos heróis – ficar invisível temporariamente, puxar um inimigo com um gancho, criar uma explosão de impacto, etc. -, a experimentação garante muitas horas de jogatina para o jogador.

Mortal Shell II

Agora se você procura desafios a valer, basta conversar com Thestus no Covil Lúgubre e alternar o período do dia para a noite. Os inimigos ficam muito mais agressivos e fortes, mas também dão muito mais moedas e vultos. O legal desse modo é que algumas áreas só ficam acessíveis neste período de tempo, abrindo caminhos inéditos para explorar. E a ambientação geral fica ainda mais tensa, claro, porém a curiosidade do jogador aumenta no mesmo nível.

Por fim, os chefões são bem criativos e interessantes, mas curiosamente não possuem fases diferentes. Rola no máximo alguns ataques novos, mas nenhuma mudança visualmente falando. Por conta disso acabam sendo menos épicos do que o esperado durante o combate. Mas sim, são todos bem grotescos, como tem que ser nesta franquia. Dito isso, Mortal Shell II é um jogaço, mais do que recomendado para quem ama soulslike e procura por um jogo com DNA próprio.

85 %


Prós:

🔺Evolução insana se comparado ao game original
🔺Mundo criativo e igualmente opressor
🔺Versatilidade no gameplay com as carcaças
🔺Modo noturno amplia a exploração e desafios
🔺Imersão completa na resolução ultrawide (PC)

Contras:

🔻Repetição de inimigos no meio da campanha
🔻Trilha sonora limitada e pouco inspirada
🔻Os chefões mereciam batalhas mais épica
🔻Tradução PT-BR com falhas

Ficha Técnica:

Lançamento: 20/08/2026
Desenvolvedora: Cold Symmetry
Distribuidora: Playstack
Plataformas: PC, PS5, Xbox Series
Testado no: PC

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