Truxton coexiste em um mundo que nos enche de jogos realistas ultradetalhados, com mecânicas complexas e vastos mundos abertos, mas esse clássico dos fliperamas (e do saudoso Mega Drive) até hoje se destaca no gênero de navinha shoot ‘em up, mesmo havendo opções como Gradius, R-Type e muitos outros jogos nesse estilo. Truxton marcou a memória de muitos fãs, mas ficou adormecido por 34 anos (dá pra falar isso com a voz da Rose Dawson, né?). Finalmente isso vai mudar com a chegada de Truxton Extreme e sua história inédita para a série.

O jogo foi desenvolvido pela Tatsujin, empresa fundada por Masahiro Yuge que, pasmem, é um dos criadores dos jogos anteriores. Há mais de 30 anos, foi ele quem levou todos a uma batalha viciante, onde perder fichas não era sinônimo de frustração, mas sim de aceitar o desafio e tentar novamente. Ele retorna com o mesmo espírito, trazendo um shoot ‘em up inédito, modernizado, sim, porém mantendo toda a essência que conquistou os fãs no passado e, claro, junto a isso, os desafios infernais estão de volta.

Truxton Extreme vem para descongelar a série

Truxton (Tatsujin, em japonês) foi lançado originalmente em 1988, a princípio para os fliperamas, mas logo aterrissou no Mega Drive e PC Engine, levando os jogadores à loucura graças às suas fases extremamente desafiadoras, mas, ao mesmo tempo, muito viciantes. A sequência veio em 1992 somente para os fliperamas, o que é uma pena, já que aprimorou muito do que foi visto no primeiro título em termos visuais, sonoros e também nos desafios. Felizmente, após muitos anos, os jogos receberam ports para consoles e PCs, o que manteve viva a memória da franquia.

Agora, Masahiro Yuge funda a desenvolvedora Tatsujin, o que por si só já é uma baita homenagem ao título e, para a alegria dos fãs, finalmente traz a sequência Truxton Extreme, um jogo de navinha com a mesma pegada de antes, mas com visuais modernos, modos inéditos, coletáveis e um modo história contado por meio de quadrinhos em estilo mangá, com três perspectivas diferentes. É um salto em relação aos títulos originais, sem dúvidas, mas, ainda assim, consegue manter a identidade que nos foi entregue nos anos 90, mesmo que agora tudo tenha belíssimos visuais em 3D.

Truxton Extreme_01

Fica nítido que a identidade do jogo é única, a começar pelo logo do título, pelo design dos menus, das telas de carregamento, das naves, dos tiros e, principalmente, pelo elemento mais marcante da série: as bombas que causam uma explosão formando um imenso clarão em forma de crânio, preenchendo toda a tela. Confesso que joguei pouquíssimo no Mega Drive, mas não dá pra esquecer o efeito dessas explosões. Isso ficou marcado e revê-las é realmente incrível, pois nos leva de volta a essas memórias. Se comigo foi assim, imagina para quem realmente teve a chance de curtir o game no auge dos fliperamas.

É curioso como Truxton Extreme chama atenção. Primeiro, você pode pensar: “Nossa, um novo jogo de navinha”, algo fora da curva nesta maré de jogos que estão sendo lançados. Em seguida, percebe que é o retorno de algo que triunfou e permanece vivo na memória dos fãs. É algo realmente revigorante. Só por aí o jogo já consegue se destacar. Mas fica também a imensa responsabilidade de agradar os velhos fãs e, claro, se provar para os novos jogadores.

Truxton Extreme_02

Logo no início, o jogo apresenta um tutorial e, apesar de parecer simples, é primordial aprender os comandos e saber combiná-los. Você tem cinco tipos de tiros infinitos, que vão de rajadas de balas a feixes de laser ou raios, projéteis explosivos e até teleguiados. Dá para aumentar ou reduzir a velocidade da nave, utilizar as famosas bombas e carregar uma barra de energia que amplia consideravelmente o poder dos seus disparos.

Altamente armado mas pouco protegido

Ao longo da partida, vão surgir caixas de itens que melhoram cada um desses atributos, permitindo escolher diferentes níveis de velocidade, ampliar seu poder de fogo, tornar os tiros mais intensos e até coletar mais bombas aqui e acolá. Também dá pra encontrar vidas, mas elas são realmente difíceis de achar e, sim, você vai precisar delas. As fases são realmente desafiadoras, com inimigos surgindo por todos os lados, e basta receber um tirinho para que sua vida seja ceifada. Agora imagine desviar de um mar de projéteis enquanto inimigos partem para cima da nossa navinha pequenina. Pois é… é exatamente isso.

E ainda é preciso se manter preparado para as iminentes batalhas contra os chefões, que são realmente variados e malucos, disparando tiros por todos os lados. Vale também um cuidado adicional para não ficar na área em que eles surgem, já que, mesmo sem querer, basta encostar neles para perder a partida (isso é meio chato).

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O modo Heart Starter pode ser jogado com vidas ilimitadas, ajudando os iniciantes a se prepararem melhor para a aventura. Embora divertido, ele é limitado a um trecho da primeira fase. Ainda assim, já dá pra entender um pouco mais sobre como as missões funcionam e pensar em estratégias para o uso das munições, tentando progredir de verdade na história.

A história de Truxton Extreme se passa no ano 2200, em um tempo em que os humanos têm uma IA como presidente (sim, eu também fiquei chocado) e já colonizaram outros sete planetas, mas agora precisam protegê-los de uma ameaça alienígena mecanizada: os Geranium, seres capazes de se multiplicar com muita velocidade para atacar diferentes colônias. Para proteger a humanidade, os pilotos de elite, conhecidos como TATSUJINS, são selecionados para a missão, e isso nos leva a conhecer os diferentes pontos de vista do jogo.

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Truxton Extreme te dá a possibilidade de conhecer as histórias de Ash, Bergamot e Cyrilla, cada um com suas próprias motivações para estar na batalha, mas com o mesmo objetivo. Na prática, o jogo possui seis capítulos distribuídos em 18 fases. Você inicia com Ash e, ao conseguir finalizar a primeira fase, habilita a missão seguinte dele e também a primeira fase de Bergamot. O ciclo se repete: ao concluir a primeira fase com Bergamot, você habilita a primeira fase de Cyrilla e assim por diante.

Uma missão com 3 motivações distintas

Um ponto importante aqui: você pode jogar o game inteiro focando apenas na perspectiva de Ash, seguindo todas as suas fases e quadrinhos, ou optar por entrelaçar as histórias conforme vai habilitando as fases dos outros personagens. Vale dizer, porém, que cada fase é exatamente igual para os três. É como se todos estivessem participando da mesma missão ao mesmo tempo, inclusive os quadrinhos deixam isso bem claro. Dessa forma, saiba que são ao menos seis mapas diferentes que precisam ser vencidos três vezes, uma com cada personagem, para chegar ao final da história por completo.

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Apesar da repetição, isso não chega a ser um problema. Afinal, o jogo tem como essência ser difícil, e faz parte da experiência rejogar várias vezes. Ainda assim, ter três personagens em campo passa a impressão de que haverá pequenas mudanças na gameplay, talvez habilidades específicas para cada um ou até fases com pequenas diferenças em sua progressão, dando a sensação de que cada piloto esteve em uma parte diferente do campo de batalha. Mas o que acontece, na prática, é a mesma fase para todos eles, embora isso resulte em avanços diferentes nos quadrinhos.

Repetir a mesma fase com os três personagens não torna o jogo cansativo. Na verdade, nem dá pra colocar essa palavra no vocabulário de Truxton Extreme. Mal dá pra perceber o tempo passar enquanto persistimos, tentando combinações de armas e estratégias diferentes. Sabe aquela frase clássica: “Só mais uma vez, eu juro”? E você quebra a promessa pela décima vez só porque conseguiu chegar um pouquinho mais longe na tentativa anterior.

Para ajudar, Truxton Extreme permite começar a aventura com uma quantidade maior de vidas e bombas. Em contrapartida, você deixa de participar dos rankings online, o que acaba sendo uma troca bastante justa, né?

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As fases abarrotadas de inimigos, um show de luzes e bombas que clareiam a tela durante toda a jogatina resultam em cenários muito bonitos, bem construídos e que contam com um design de naves que mantém a identidade da franquia. Até os inimigos, que dão uma verdadeira dor de cabeça, são versões em 3D do que você encontraria nos jogos antigos. É realmente muito empolgante e o que torna tudo ainda melhor são as músicas que tocam ao fundo enquanto o tiroteio não para.

Existem faixas retrabalhadas dos jogos originais e também composições inéditas, produzidas pelo próprio Masahiro Yuge. Dá pra perceber o quanto ele queria trazer a série de volta. São músicas muito agradáveis de ouvir e que acompanham perfeitamente o ritmo frenético do game. Honestamente, em alguns momentos parece que somos transportados de volta aos tempos do Mega Drive e, não vou mentir, rapidamente me peguei cantarolando enquanto xingava os inimigos pelo caminho, risos.

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Avançar é extremamente satisfatório em Truxton Extreme. A sensação é de uma conquista incrível depois de uma árdua batalha. Inclusive, o jogo possui um modo cooperativo em que dois jogadores dividem a mesma barra de vida e a quantidade de bombas. Talvez isso ajude, mas também exige uma boa parceria estratégica. Se conseguirem trabalhar em equipe, com certeza a vitória será ainda mais recompensadora. O ganho? Além da pontuação para se gabar com os amigos e dos coletáveis, há novas páginas dos quadrinhos que expandem ainda mais essa história e uns modos secretos por aí.

Que tal uma pausa para um mangá?

Os mangás são de autoria do mangaká Junya Inoue, famoso por trabalhos como Btooom!, além de ilustrações relacionadas a Batsugun e DoDonPachi. Então pode esperar por um belo trabalho artístico e uma condução narrativa de alto nível. Para tornar tudo ainda mais envolvente, o jogo traz textos em português, o que facilita bastante para acompanhar a história. E, mesmo que as animações sejam um tanto limitadas por se tratarem de quadrinhos, elas divertem justamente por cruzarem momentos e pensamentos diferentes sob a perspectiva de cada personagem.

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Truxton Extreme consegue dar uma pausa na intensidade das batalhas com seus momentos narrativos, mas, ao mesmo tempo, não deixa o ritmo frenético diminuir e ainda encontra espaço para algumas pitadas de humor aqui e ali. O que estou querendo dizer é que tanto a gameplay quanto a leitura da história conseguem prender nossa atenção, especialmente depois que entendemos que cada personagem revela um pouco mais sobre os outros.

O jogo ainda possui outros extras, como um painel para visualizar cada uma das naves e dos inimigos enfrentados, algo que é desbloqueado aos poucos, além de um modo Arcade para os veteranos fãs de uma boa loucura infernal. Nele, você pode enfrentar toda a campanha como nos velhos tempos, superando fase após fase sem interrupções. Haja coragem.

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E, se você pensa que acabou, se engana. Conforme progride na aventura, novos modos secretos são desbloqueados, como o Treinamento. Esse, sim, permite escolher entre as fases já desbloqueadas para treinar à vontade e criar estratégias para vencer. Dá até para selecionar um trecho específico, como apenas a batalha contra o chefão ou todo o percurso da fase.

Já o modo Arena coloca você em um ambiente repleto de todos os tipos de inimigos para testar sua resistência dentro de um tempo determinado e descobrir o quanto consegue pontuar. Somando tudo isso, Truxton Extreme oferece muitas horas de diversão e, quem sabe, ainda guarda outros segredos esperando para serem encontrados e desbloqueados. No fim, há muito o que explorar, o que ajuda a ampliar o fator replay.

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Com uma combinação perfeita de música, tiros frenéticos, história em quadrinhos e ação de um jogo shoot ‘em up, Truxton Extreme mostra que voltou com tudo. Não dá pra saber se ele conquistará novamente o topo entre os jogos de navinha, mas também não dá pra negar a bela homenagem que seu criador, Masahiro Yuge, presta aos fãs de longa data. Revitalizar toda essa essência é algo realmente incrível e, até para quem está chegando agora a esse universo, o jogo se mostra extremamente viciante e deixa bem claro o porquê de sua fama.

92 %


Prós:

🔺A gameplay é extremamente viciante e desafiadora
🔺O visual é moderno sem perder a identidade da série
🔺Tem excelente trilha sonora com músicas inéditas
🔺Os mangás adicionam personalidade ao universo
🔺Tem variedade de armas e possibilidades estratégicas
🔺Coop local e modos secretos ampliam o replay

Contras:

🔻As campanhas repetem as mesmas fases
🔻Sem diferenciação na jogabilidade entre os personagens
🔻Precisa de um pequeno ajuste de colisão nos chefões

Ficha Técnica:

Lançamento: 30/07/2026
Desenvolvedora: Tatsujin
Distribuidora: Clear River Games
Plataformas: PS5, Xbox Series, PC, Switch 2
Testado no: PS5

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