Mario Tennis Fever chega ao Nintendo Switch 2 com aquela cara de uma Nintendo em plena forma, esbanjando cores, acessível, cheio de sistemas para dominar e, principalmente, com muita personalidade. Depois de um hiato desde Mario Tennis Aces, lançado há quase dez anos, o novo capítulo da franquia não se preocupa em reinventar o esporte, mas aposta em profundidade de mecânicas, um elenco gigantesco, modos variados e um modo história.
Na prática, esse jogo funciona tanto como porta de entrada para quem só quer dar risada com os amigos no sofá ou online, quanto como prato cheio para quem sente saudade das madrugadas de rali intenso nas quadras malucas do Reino Cogumelo como existe desde o Nintendo 64 ou até mesmo de seus antecessores no Game Boy e Virtual Boy.
Um saque certeiro de volta ao Switch 2
Mesmo que divulgado como principal destaque, o modo história está longe de ser o principal atrativo de Mario Tennis Fever. A Aventura, como é chamado dentro do jogjo, abandona a estrutura tímida que já existiu em títulos anteriores para desenvolver uma breve jornada, realmente curta por durar apenas três horas, como uma espécie de RPG esportivo.

Depois de uma lenta e obrigatória sessão de tutorial, que dura mais tempo que a própria aventura, Mario e seus amigos vão parar em uma ilha remota, em que monstros misteriosos os transformam em versões bebê de si mesmos. Para quebrar a maldição, eles precisam reaprender suas habilidades no tênis e enfrentar criaturas em lutas que misturam partida esportiva com elementos de puzzle e chefes com os famosos padrões de esquiva e ataque.
Nesse modo e com esse plot, você precisa passar por missões que utilizam conceitos de jogabilidade como, por exemplo, tipos de raquete eufórica ou efeitos de quadra, colocada numa progressão de personagem e construção narrativa para evitar que você precise dedicar horas de treino e tutoriais isolados. Diálogos engraçados, cutscenes caprichadas e desafio crescente, o modo história justifica seu investimento de tempo e agrada, porém os jogadores mais velhos da franquia podem achar arrastado e lento.

Fora da campanha, Mario Tennis Fever se apoia em uma variedade sólida de modos de jogo que estendem a vida útil do pacote, tanto para quem joga sozinho quanto em grupos. O modo Torneio traz a estrutura clássica de chaves, mas adiciona um toque bem-humorado com a Flor Tagarela comentando cada lance, narrando erros, acertos e até ironizando suas decisões em quadra.
Os modos Missões funcionam como desafios específicos de habilidade, com objetivos como manter um rali por um número determinado de golpes, acertar zonas específicas da quadra com diferentes tipos de efeito ou sobreviver a partidas com desvantagens propositais. Para quem gosta de aperfeiçoar a técnica, esse modo realmente faz com que você treine e aprimore suas habilidades. Já as Gincanas são o lado caótico e festivo do jogo, com partidas que possuem regras inesperadas, efeitos fenomenais que alteram a física da bola, o comportamento das quadras e até o tamanho dos jogadores, criando momentos dignos do lado “Party Game” que a Nintendo sempre coloca em seus jogos.

No online, Mario Tennis Fever combina salas casuais com regras personalizadas, perfeitas para jogatinas entre amigos, e um modo ranqueado que mira em quem busca o competitivo, sendo realmente o mais interessante para jogadores avançados e que aumentam o fator replay. Depois de partidas classificatórias, que acontecem com matchmaking mais rígido e conforme o seu nível atual, muitas recompensas esperam por você, incentivando a busca por evolução ao longo do tempo.
Entre Aces e clássicos, Fever acerta muito
Em termos de mecânicas e jogabilidade, Mario Tennis Fever mantém seu espírito original, mas com um refinamento perceptível, em que topspins, slices e lobs ganharam mais atenção aos movimentos, além dos personagens se moverem com mais precisão, tudo esbanjando um show de expressão e carisma que a Nintendo vem empregando em suas propriedades intelectuais após adaptação para o cinema de Mario Bros.

As novidades nas mecânicas ficam por conta dos golpes e raquetes eufóricos, resgatando as habilidades especiais que os personagens adquirem em outros títulos, mas num sistema responsável por incentivar e prolongar ralis e jogadas inteligentes. Ao encher o medidor de euforia, você permite que o personagem execute poderosos golpes eufóricos, capazes de virar um ponto perdido em ponto ganho em questão de segundos. O diferencial é como esses golpes estão ligados às raquetes eufóricas, que funcionam quase como acessórios de habilidade equipáveis, com 30 modelos diferentes, cada um com efeitos específicos ao serem combinados aos golpes especiais.
Essas raquetes permitem congelar a quadra, encolher adversários, colocando fogo ou eletricidade no chão, fazendo bananas aparecerem, e até mesmo aumentando status por um período de tempo durante a partida. São combinações estratégicas para você desenvolver um estilo mais agressivo, pensando no contra-ataque ou uma defesa mais paciente. Tudo em uma camada de customização que flerta com o estilo de RPG, apresentado no modo Aventura, e que cria aquele desejo em montar sua build perfeita ao explorar as 30 raquetes e os 38 personagens disponíveis, tudo desbloqueável ao jogar todo conteúdo disponível em Mario Tennis Fever.

E para quem gosta, o modo realista utiliza o Joy-Con 2 como raquete com perfeição, detectando movimentos com mais precisão do que seus antecessores, mas sem os exageros físicos e longe de ser a opção mais divertida, fora da jogatina entre amigos, mesmo que consiga cumprir muito bem sua função.
Visualmente, Mario Tennis Fever explora bem o hardware do Switch 2, mas sem perder o estilo carismático e cartunesco que sempre carregou nos demais jogos. As quadras variam de estádios modernos, repletos de detalhes, até ambientes fantasiosos típicos da franquia Mario Bros., com elementos que impactam diretamente a partida. A direção de arte acerta ao usar cores mais vibrantes para destacar os efeitos eufóricos, porém em alguns casos a tela fique caótica pela quantidade de elementos e informações. E os personagens ganharam animações específicas para suas raquetes eufóricas, o que reforça aquela vontade de testar todo mundo ao menos uma vez.

A trilha sonora mantém o nível altíssimo dos jogos da Nintendo, acompanhando o ritmo frenético com trilhas repletas de energia, que ditam o ritmo das partidas mais intensas, enquanto variantes mais calmas surgem no modo história e em quadras com temática mais exótica. Mesmo sem revolucionar e até mesmo resgatando bem pouco os temas mais icônicos, ela consegue empolgar, enquanto se mistura com efeitos sonoros e os hilários comentários da Flor Tagarela.
Mario Tennis Fever talvez seja a edição definitiva para quem acompanha a franquia, pelo vasto conteúdo, novidades em mecânicas, e atenção aos detalhes, num retorno triunfal e caótico, deixando claro que a Nintendo consegue compreender o que já foi feito no passado, para expandir suas ideias e encontrar, enfim, o equilíbrio para quem busca jogos para diversão entre os amigos e profundidade em quadra.
Prós:
🔺Elenco gigantesco e estilos únicos
🔺Modo Aventura divertido com progressão inteligente
🔺Estratégia com golpes e raquetes eufóricas
🔺Modos variados para todos os públicos
🔺Direção de arte esbanjando carisma
Contras:
🔻História da Aventura é simples demais
🔻Na Aventura, tutorial é maior do que a história principal
🔻Matchmaking online ainda gera um competitivo difícil
Ficha Técnica:
Lançamento: 12/02/2026
Desenvolvedora: Nintendo
Distribuidora: Nintendo
Plataformas: Switch 2


