O lançamento de Nioh 3 marca um momento crucial para a franquia que conquistou milhões de jogadores ao redor do mundo com sua abordagem diferenciada e desafiadora para o gênero soulslike. Desenvolvido pela Team Ninja e publicado pela Koei Tecmo, esse novo título chega promovendo uma expansão gigantesca na escala, narrativa e sistemas de combate que formataram a série há anos.

Esse terceiro capítulo da franquia demonstra a evolução da própria Team Ninja ao mesmo tempo em que representa um salto que respeita a identidade que Nioh criou enquanto busca trazer inovações um tanto quanto ambiciosas. Com certeza um dos melhores lançamentos de 2026 para quem gosta de ação frenética e curte uma boa narrativas histórica, com desafios que podem ser implacáveis a qualquer instante.

Evoluindo sem perder a essência

A trama de Nioh 3 situa-se no ano 8 de Genna, ano de 1622 do Japão feudal, através de uma narrativa que combina política, tragédia familiar e o constante confronto com o sobrenatural. Tokugawa Takechiyo, o protagonista, é um jovem guerreiro prestes a receber o título de Shogun, a mais alta posição de poder no Japão dessa época. No entanto, tudo muda radicalmente quando seu irmão mais novo, Tokugawa Kunimatsu, consumido por ódio e inveja em relação à sucessão do irmão, cai nas garras de uma força sombria e misteriosa.

Nioh 3

Corrompido por essa entidade maligna, Kunimatsu comanda uma invasão devastadora de yokais, criaturas sobrenaturais do folclore japonês, em um ataque fulminante contra Takechiyo e o próprio reino. A era de paz que o Japão começava a desfrutar se transforma instantaneamente em caos, violência e influência demoníaca. Com a ameaça sobrenatural, Takechiyo descobre o poder misterioso de Kusanagi, seu espírito guardião que lhe concede a capacidade de transcender o tempo (entre outras ao longo do jogo).

Pronto! Está estabelecida a grande sacada dos desenvolvedores para utilizar um mecanismo narrativo que permite ao protagonista atravessar diferentes épocas do Japão feudal, incluindo não apenas o período Sengoku, mas também o período Heian, conhecido por sua sofisticação cultural, e o turbulento período Bakumatsu, no final do século XIX. O mais legal desse artifício narrativo é poder encontrar figuras históricas, como o legendário Takeda Shingen, famoso guerreiro daimyo, os irmãos Minamoto no Yoshitsune e Yoritomo, além de personagens recorrentes da franquia que os fãs já conhecem e admiram, incluindo o sempre presente ninja Hattori Hanzo e o samurai Honda Tadakatsu.

Nioh 3

A partir dessa mudança no formato em que a história é montada e contada, que aumenta o fator de rejogabilidade por revisitar esses períodos para completar missões e obter todos os colecionáveis do mapa, a Team Ninja fez uma escolha audaciosa para Nioh 3 abandonando o foco no sistema de posturas de armas, que ainda existe no jogo sem o impacto que existia antes, para adotar estilos de combate distintos e radicalmente diferentes em filosofia com um personagem principal que pode adotar características de Samurai e Ninja, alternando entre os dois com apenas um botão com a mecânica conhecida como Troca de Estilo.

Dois caminhos, uma lâmina

Se em Nioh 2 tínhamos um Samurai e um Yokai em Hide, agora temos um protagonista que mantém a essência do original, priorizando o confronto corpo a corpo direto e o domínio através de ataques poderosos e precisos, enquanto o Ninja possui um foco maior em mobilidade, evasão e ataques rápidos. Com o Samurai retornam as armas tradicionais e combos baseados em timing e posicionamento preciso, mantendo as características próprias de soulslike, deixando para o Ninja um “quê” de hack and slash por conta da agilidade, com movimentos executados velozmente sem consumir grandes quantidades de Ki.

Nioh 3

Respeitando seu passado e inovando dentro de sua própria fórmula, ainda que o Pulso de Ki esteja presente e como uma importante manobra estratégica durante o combate, temos um Domínio das Artes para ambos os estilos, com uma barra que enche gradualmente conforme você causa dano aos inimigos para executar ataques poderosos e sem consumo de Ki, além de uma presença mais clara do Defletir, que antes tinha um foco maior como habilidade, mas que agora faz parte dos comandos básicos e permite aparar ataques inimigos no último instante antes do impacto.

Enquanto toda a base se mantém a mesma, naquela linha tênue entre ser ou não ser um soulslike, Nioh 3 conseguiu adicionar uma mecânica que se baseia na Troca de Estilo para causar um impacto ainda maior na mudança de estilos. A partir de um ataque vermelho, conhecido como Ataque Impetuoso, você pode executar uma Quebra Impetuosa, numa ofensiva com transformação, que permite combos de maneira fluida e intuitiva para explorar a fraqueza dos inimigos. Se antes você tinha diversas builds para testar contra um adversário, agora você pode resolver um combate difícil apenas aprendendo como alterar seu estilo, entre Samurai e Ninja, ou o momento ideal para isso.

Nioh 3

Nioh 3 também cresce quando deixamos de lado aqueles ambientes quase como grandes corredores, delimitando sua exploração em localidades controladas (mesmo quando maiores). Mesmo sem adotar um mundo completamente aberto, como um Assassin’s Creed da vida, o estilo linear da série com pontos de início e fim deixam de existir para a introdução de campos abertos mais extensos. Esses espaços são preenchidos com santuários, muitos baús espalhados, Estacas do Umbrasal (espaços do mundo yokai), áreas do Umbrasal, Bases Inimigas, e diversas criaturas para encontrar que oferecem bençãos, como os Kodama, Espíritos Guardiões e os Sunekosuri, gatinhos que saem rolando pelo mapa antes de concederem recompensas.

A liberdade é um convite à exploração

Comparando aos títulos anteriores da franquia, Nioh 3 representa uma evolução bem executada, ouvindo a comunidade e observando os demais jogos que saíram desde 2020, após o lançamento do segundo jogo, para conseguir refinar os diversos sistemas e mecânicas adotadas para a franquia, além de focar em como o jogador desenvolve o combate e interage com a exploração. O mesmo acontece com a direção de arte, que respeita muito esse histórico e progresso, melhorando o sistema de iluminação e como o jogo sinaliza seu próprio level design, apontando com pequenas dicas visuais para incentivar a exploração.

Nioh 3

No entanto, Nioh 3 consegue trabalhar magistralmente (e muito melhor que diversos jogos) a diferença entre as paletas de cores, alternando entre o estilo das épocas que a história revisita, além do visual para os espaços do Umbrasal. A trilha sonora também tenta acompanhar essa evolução, mas mesmo com bons temas ainda é possível notar uma mesmice que insiste em resgatar o mesmo estilo dos outros dois jogos, por mais que a variedade de músicas seja maior. O lançamento desse jogo depois de Rise of the Ronin, Assassin’s Creed Shadows e Ghost of Yotei fez com que ele conseguisse estabelecer exatamente o seu lugar e a maneira como expandiria toda sua proposta dentro de uma base consolidada, sem perder sua essência.

Nioh 3 finalmente consegue aprimorar sua complexidade mecânica, mesmo enquanto ainda oferece uma saída para quem não quer o estilo mais cadenciado do soulslike, porém sem se perder na ação desenfreada com combates bobos e descabidos. Ainda que sua curva de dificuldade seja o maior desafio, principalmente na primeira parte do jogo, aprender, testar e executar são etapas fundamentais que ganham espaço neste terceiro capítulo da franquia. Talvez para os iniciantes no gênero soulslike, Nioh 3 represente um desafio frustrante, porém longe de ser impossível, ainda mais pelas novas possibilidades de jogabilidade que ele oferece com a Troca de Estilos.

94 %


Prós:

🔺Criatividade com a troca de estilos entre Samurai e Ninja
🔺Diferentes eras do Japão com campos abertos e bem estruturados
🔺Construção narrativa através das eras
🔺Excelente direção de arte para cada ambiente
🔺Boa combinação de inovações para o combate
🔺Variedade para criação de builds

Contras:

🔻Curva de dificuldade muito íngreme pode ser frustrante
🔻Inúmeras habilidades e possibilidades dificultam a completude
🔻Repetição das atividades mesmo em mapas diferentes

Ficha Técnica:

Lançamento: 06/02/26
Desenvolvedora: Team Ninja
Distribuidora: Koei Tecmo
Plataformas: PC, PS5
Testado no: PS5

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