Durante o ano de 2020, houve o lançamento conjunto dos jogos DOOM: Eternal e Animal Crossing: New Horizons, dando início a uma série de memes em que Isabelle e o Doom Slayer se uniam para derrotar monstros com muita fofura. Don’t Stop, Girlypop! parece ter surgido diretamente dessa ideia inusitada e divertida: um boomer shooter extremamente fofo e voltado para o público garotinha.
Produzido pelo estúdio Funny Fintan Softworks, o jogo mistura os estilos visuais de tecnologia Y2K com o chromecore, apresentando metais que parecem gosmas em certos momentos. O título aposta em uma gameplay rápida e frenética, embalada por faixas de Jungle/IDM para animar o jogador enquanto ele espalha balas carregadas de amor pelos inimigos.
Espalhando amor e chumbo
A história de Don’t Stop, Girlypop! leva o jogador ao planeta distante chamado Oasis, onde o amor reina e fadas e outras criaturas habitam um mundo tecnologicamente avançado, com grande inspirações nos movimentos estilísticos Y2K e Frutiger Aero. Tudo parecia em paz, até que a gananciosa empresa interplanetária Tigris Nix invade o planeta com o objetivo de destruí-lo em nome do progresso e do lucro.

Imber, a guardiã de Oasis, é despertada durante a invasão e assume o papel de protagonista desta aventura. Armada inicialmente com uma escopeta especial – capaz de disparar tanto tiros normais quanto esferas de dano em área -, Imber luta contra os primeiros rivais da corporação, mas acaba sucumbindo durante a batalha e é capturada.
Após a captura, o jogo avança alguns anos no tempo, e o jogador desperta em uma das câmaras de suspensão da Tigris Nix, que agora domina Oasis. Portando seu celular flip, seu Zune e armas de design totalmente brutalista, o jogador embarca em uma jornada de vingança para livrar o planeta desses gananciosos corporativistas intergalácticos.
Don’t Stop, Girlypop! possui uma trama básica, mas a mistura de elementos narrativos com o visual Frutiger Aero e Y2K ressoa de maneira interessante com o zeitgeist atual. Nela, a tecnologia deixa de ser algo fantástico e esperançoso para se tornar, em muitos meios, algo opressivo e controlador, marcado por taxas de assinatura e abusos corporativos contra o usuário.

Armas, estilos e pelúcias
Você já imaginou como seria o jogo ULTRAKILL se fosse todo cor-de-rosa e com uma estética de metal derretido? Se sim, talvez tenha visualizado o que poderia ter sido o alfa de Don’t Stop, Girlypop!. Afinal, a sensação que o jogo transmite é exatamente essa: uma versão menos visceral do título indie do robô azul e seus parries brutais pelo inferno.
Imber não possui um corpo visível; as únicas partes da protagonista que vemos são seus antebraços e suas armas enquanto ela avança rapidamente pelos cenários de Oasis. A estética alienígena abusa de cores saturadas e, em certos locais, tons estourados de tanto brilho. Tudo evoca o estilo garota dos anos 2000, sendo o equivalente a misturar uma coleção da revista Capricho com CDs de boy bands e muito glitter, explodindo tudo na cara do jogador.
A movimentação utiliza técnicas de bunny hopping para aumentar a velocidade e o multiplicador de pontuação. Essa agilidade, somada ao gancho que pode ser disparado em certas estruturas, transforma o jogo em um verdadeiro teste de reflexos. O jogador deve conciliar a movimentação rápida com parries contra disparos inimigos e precisão na mira para limpar as salas no menor tempo possível.

Com o progresso em Don’t Stop, Girlypop!, novas armas são liberadas, cada uma com dois tipos de disparo. Isso ajuda o jogador a manter o combo estável e causar danos massivos em grandes grupos de inimigos. Os tiros especiais só não estão presentes no rifle de precisão, cuja mira telescópica é considerada sua habilidade única; no entanto, a arma se redime ao disparar pregos capazes de fixar os inimigos na parede.
Combinações assassinas
Durante a missão de libertação de Oasis, além de armas poderosas capazes de disparar goma de mascar explosiva, esferas de energia e até um tamagotchi superpoderoso, o jogador também pode realizar execuções em inimigos enfraquecidos. No geral, o jogo não é excessivamente difícil, porém, como é comum no gênero, a dificuldade escala quando chefes anteriores passam a aparecer como inimigos comuns.
Os inimigos em Don’t Stop, Girlypop! costumam ser robôs sem forma definida, feitos do que parecem ser cristais ou rocha pura; os mais básicos oferecem pouco desafio. Já os antigos chefes são um caso à parte: armados com lançadores de mísseis potentes e escudos que permitem investidas carregadas, eles impõem desafios reais a Imber.

Além do mundo espalhafatoso, o jogador também pode personalizar suas armas e braços. O jogo oferece uma grande variedade de cores e texturas: é possível seguir o estilo chromecore de metal escorrido ou optar por estampas de oncinha e armas rosas cheias de laços. O importante é manter o estilo enquanto explora o planeta.
Como em outros títulos do gênero, os níveis escondem segredos, easter eggs e ecos no espaço – fragmentos que narram eventos ocorridos enquanto Imber estava selada. Embora não seja um recurso impactante, já que a narrativa não é o forte do jogo, esses colecionáveis ajudam a dar contexto ao domínio da Tigris Nix.
Visual e gameplay agressivo
Embora o gameplay seja familiar para quem conhece DOOM Eternal ou Ultrakill, o jogo inova com suas armas e disparos alternativos, conferindo um sabor extra ao combate. Quanto maior o combo de luta e movimentação, maior o dano de Imber e mais frenética se torna a trilha sonora, em um sistema que remete a Devil May Cry 5.

No entanto, admito que o excesso de cores ultrassaturadas e efeitos visuais pode cansar o jogador mais rápido do que o esperado. No quarto nível, por exemplo, ao sairmos dos prédios corporativos para o mundo aberto, as texturas das rochas são tão roxas e rosadas que o cenário parece feito de beterrabas, tudo sob um filtro ciano esverdeado bastante agressivo.
Don’t Stop, Girlypop! aposta no absurdo estético da cena Y2K, algo que pessoalmente me agrada, mas a saturação excessiva chega a ser extenuante. Contudo, o estilo da jogabilidade – ainda que menos visceral que suas inspirações – é genuinamente divertido, e a trilha sonora é contagiante.
Reconheço que não é um título para todos e que sua mecânica e história não revolucionam o mercado, mas o jogo acerta ao tentar inovar em sua temática. Se você não procura uma experiência de tortura em dificuldade extrema, vale a pena dar uma chance ao mundo vibrante e colorido de Don’t Stop, Girlypop!
Prós:
🔺Estética visual diferenciada
🔺Trilha sonora muito divertida
🔺Gameplay com algumas novidades interessantes
Contras:
🔻Cores extremamente saturadas que cansam os olhos
🔻Narrativa simples, pouco engajante
🔻Batalhas de arena bem repetitivas
Ficha Técnica:
Lançamento: 29/01/2026
Desenvolvedora: Funny Fintan Softworks
Distribuidora: Kwalee
Plataformas: PC


