The Legend of Heroes: Trails beyond the Horizon chega como marco importante para a franquia Trails, consolidando vinte anos de uma história contínua. Desenvolvido pela Nihon Falcom e publicado no Ocidente pela NIS America, o jogo representa a ambição máxima do estúdio por reunir personagens lendários em uma narrativa que equilibra profundidade emocional com inovação em mecânicas.
Um título que redefine o que significa evoluir dentro dos próprios limites, oferecendo uma experiência que consegue se gratificante para aquele jogador dedicado, porém crie um degrau grande demais para os iniciantes. Isso por justamente continuar o arco de Calvard, como um terceiro capítulo, e, simultaneamente, como catalisador narrativo para toda a série Trails, com os mais de 12 jogos lançados nos últimos vinte anos. Este é um jogo que requer compreensão da franquia, consolidando convergências de cinco arcos distintos em uma única narrativa coesa e indo para uma direção diferente de títulos isolados ou spin-offs.
Uma longa jornada de 20 anos
A ligação mais direta acontece com os dois jogos anteriores de Daybreak, com Trails beyond the Horizon iniciando exatamente após os eventos de Trails Through Daybreak II, mantendo Van Arkride, Agnes e os membros da Arkride Solutions como elementos centrais. A trama transcorre em apenas três dias antes da execução do Project Startaker, um ambicioso projeto científico que visa lançar a humanidade ao espaço, e Van Arkride é convidado por Marduk para participar do treinamento com uma nova tecnologia de Shard, mas rapidamente enfrenta o surgimento do culto conhecido como Novo Amanhecer, além de conspirações políticas continentais e as maquinações da Sociedade Ouroboros.

Diferentemente de seus antecessores, o jogo adota estrutura de três rotas paralelas, em que essas três perspectivas convergem em temas sobre política, moralidade, sacrifício pessoal e a eterna questão sobre o que existe além do horizonte conhecido.
A rota de Van constitui o coração narrativo, funcionando como a parte fundamental da campanha principal, numa progressão com a estrutura clássica de Trails. Já a rota de Rean representa o ponto mais fraco do jogo, com missões e interações que não refletem a personalidade do Cavaleiro Cinzento, parecendo ser tudo muito genérico. Por fim, a rota de Kevin contrasta com a anterior e funciona como justificativa para diversos acontecimentos na rota de Van.

No primeiro ato, The Legend of Heroes: Trails beyond the Horizon oferece uma experiência muito carregada das características da série Trails, com uma experiência mais lenta, extremamente densa em detalhes narrativos e recompensadora apenas para quem estiver disposto a explorar. Os NPCs possuem diálogos únicos em praticamente toda interação, missões paralelas oferecem narrativas secundárias com desenvolvimento crucial para os personagens.
Evolução e refinamento
O desenvolvimento de personagens para Rean e Kevin oferece conclusão satisfatória de arcos pessoais que remontam aos primeiros jogos, enquanto Van é mantido numa posição de evolução e continuidade. Isso faz com que o jogo consiga responder muitas questões da série, abrindo novos mistérios que preparam para o final definitivo, deixando a história aberta para o futuro.

Para a alegria de quem vem acompanhando os jogos mais recentes, Trails beyond the Horizon representa um refinamento do sistema híbrido introduzido em Trails Through Daybreak. O jogo oferece alternância suave entre Field Battles, com combate em tempo real, e Command Battles, em turnos e estratégico, com o novo Nexus Tactical System, que eleva a profundidade estratégica durante as lutas.
O sistema Awakening permite personagens ativarem estados de poder aumentado usando a barra de Boost, resultando em transformações ou amplificações significativas como, por exemplo, Van, que se transforma no Grendel, ou Rean entra em Unificação Espiritual com Shizuna. Combinado com Quick Arts, as Field Battles finalmente conseguiram se tornar mais interessantes.

Também temos o retorno do sistema Orbment, com vasta seleção de Quartzes que oferecem bônus de atributos e Shard Skills passivos, que são ativados automaticamente. No entanto, a adição mais notável é o Z.O.C. (Zone of Control), que desacelera momentaneamente o tempo em Field Battles e concede um turno adicional. Os Shard Commands também adicionam outra camada de decisão, oferecendo benefícios variados dependendo do personagem, enquanto o novo sistema B.L.T.Z. ativa automaticamente em certos turnos, permitindo membros em reserva contribuir com ataques em sequência.
A Nihon Falcon trouxe o Grim Garten como conteúdo adicional que pode até parecer ser opcional, mas é absolutamente essencial para narrativa e compreensão da história, com uma masmorra que tem um “quê” de roguelike e implementa um sistema de tabuleiro em que o jogador move seu avatar turno por turno até encontrar o chefe de cada Domain. Além disso, a Grim Arena oferece desafios de combate puro, enquanto joguinhos de poker e blackjack complementam a variedade. Ainda como novidade, o jogo mantém o Turbo Mode e salvamento automático para aumentar a acessibilidade.

Visualmente, o jogo demonstra clara evolução em relação a Trails Through Daybreak II, trazendo animações de personagens com novas transições para as Crafts, maior variedade de movimentos, modelos 3D refinados, e sistemas de luz e sombra mais dinâmicos, além de cenas mais elaboradas.
A trilha sonora de Trails beyond the Horizon continua evoluindo e se posicionando com possivelmente uma das mais interessantes da série, criando paisagem sonora simultaneamente emotiva e energética, com pianos, guitarras e violinos cuidando do tom emocional enquanto sintetizadores se revezam em Field e Command Battles.

The Legend of Heroes: Trails beyond the Horizon não é perfeito, afinal temos um primeiro ato muito lento, rotas secundárias que não possuem o mesmo nível de qualidade narrativo, e inimigos com pontos de vida excessivos. No entanto, você também encontrará combate polido, narrativa extremamente coesa, e momentos de muita emoção que resgatam histórias anteriores. A Nihon Falcom não tentou reinventar a franquia, pois se preocupou em elevar o que já funcionava e criou o caminho necessário para o encerramento de uma saga de duas décadas.
Prós:
🔺História muito boa e reunindo décadas de conteúdo
🔺Sistema de combate polido e estratégico
🔺Três protagonistas com arcos narrativos completos
🔺Visual e trilha sonora continuam impecáveis
🔺Conteúdo interessante para muitas horas de jogo
Contras:
🔻Ainda é um JRPG muito nichado
🔻Primeiro ato extremamente lento
🔻Inimigos principais exigem muito tempo de combate
🔻Rotas desequilibradas em questão de narrativas
Ficha Técnica:
Lançamento: 15/01/25
Desenvolvedora: Nihon Falcom
Distribuidora: NIS America
Plataformas: PC, Xbox Series, PS5, Switch 2
Testado no: PS5


