Drag x Drive chega ao Nintendo Swith 2 como uma experiência paradoxal que exemplifica tanto o potencial inovador quanto às limitações da Nintendo quando resolve se aventurar em territórios experimentais. Afinal, ninguém imaginaria contar com um modo mouse para os novos joy-cons, muito menos de que teríamos um jogo inteiramente dedicado para explorar essa novidade.
Esse título de basquete em cadeiras de rodas robóticas, desenvolvido por uma equipe surpreendentemente enxuta de apenas 20 pessoas, consegue impressionar pelas mecânicas únicas ao mesmo tempo em que decepciona pela execução superficial, com uma proposta inquestionavelmente engenhosa e resgatando os melhores momentos do Nintendo Wii, mas com a precisão aprimorada dos sensores modernos.

Ao utilizar cada joy-con como representação física das rodas de uma cadeira de rodas, a Nintendo buscou proporcionar uma conexão tátil inédita entre jogador e avatar, transformando o ato de se mover pela quadra numa experiência quase verídica. Tirando o jogador da zona de conforto, acostumado com os demais simuladores de esporte, Drag x Drive é um convite para deslizar ambos os controles para frente, simulando o impulso das rodas, enquanto movimentar apenas um dos lados permite curvas precisas, tudo acompanhado por uma tecnologia que usa o tato para comunicar, proporcionando sensações táteis para tornar a interação mais imersiva e realista. Para o arremesso, basta levantar um dos pulsos para executar um lançamento em direção à cesta.
Boomshakalaka!
Com partidas de três contra três num formato compacto de três minutos, os jogadores participarão de confrontos intensos em que ficar com a bola em mãos exige atenção numa mesma proporção de tensão. As quadras incorporam halfpipes laterais que permitem manobras aéreas e enterradas espetaculares, adicionando uma dimensão vertical que diferencia Drag x Drive de simuladores esportivos tradicionais, além de aproveitar o sentimento futurista carregado pela direção de arte. Enquanto aguardamos a formação da partida, podemos participar de atividades contra ghosts de outros jogadores para praticar os controles de arremesso, manobras e velocidade no Park, áreas comuns que funcionam como lobby ao redor das demais partidas em andamento.

Quase como um novo Arms, a Nintendo preparou uma nova forma de demonstrar as novidades que a nova geração do Switch possui e, por conta disso, tudo em Drag x Drive gira torno do modo mouse, fazendo com que isso também represente o maior trunfo e a principal limitação desse jogo. Durante os primeiros minutos, a novidade do controle gestual é interessante e faz com que você siga engajado em aprender os controles, testando a jogabilidade, e criando uma imersão física raramente encontrada em jogos esportivos. A curva de aprendizado inicial é tranquila e muito intuitiva, permitindo que mesmo jogadores inexperientes dominem os movimentos básicos rapidamente.
No entanto, como nada é perfeito nesse mundo, jogatinas prolongadas começam a revelar as limitações físicas que esse sistema e mecânicas carregam. O movimento constante dos braços e ombros para manter o ritmo competitivo das partidas pode gerar fadiga muscular após os primeiros 30 minutos de jogo. Em disputas próximas à cesta, em que os jogadores se batem pela posse da bola, o controle pode se tornar impreciso e frustrante, especialmente quando a velocidade exigida supera a capacidade dos sensores de acompanhar movimentos muito rápidos. Pior ainda descobrir que a ausência de customização ou controles alternativos podem fazer com que Drag x Drive seja um grande problema para jogadores que não conseguem ou não desejam utilizar os controles por gestos.

Se jogar sentado no sofá pode ser um grande problema, pois nem sempre utilizar as pernas como superfícies acaba sendo viável, a escassez de conteúdo e rigidez de opções agravam ainda mais os pontos negativos do jogo. Afinal, como pensar na longevidade de um título da Nintendo, normalmente preocupada em trabalhar com multiplayer local para a maioria dos seus títulos, como vemos em Donkey Kong Bananza, trazendo a ausência total de partidas locais com demais jogadores utilizando um único console como uma escolha inexplicável. Muito menos sem a possibilidade de preencher partidas menores que 3v3, mesmo com o uso de bots, limitando ainda mais a flexibilidade para os jogadores.
All… Too… Easy!
Com poucos modos de jogo, nenhum sistema de campanha ou até mesmo história, e customização limitada baseada em desbloqueio de cosméticos, limitados ao capacete, traje, chassi e pneus, Drag x Drive parece não demonstrar a coragem que a Nintendo possui ficando apenas como uma opção rasa e sendo percebido como uma demonstração tecnológica elaborada ao invés de um jogo completo. Para quem teve Mario Kart World e Donkey Kong Bananza no lançamento do Switch 2, que transbordam criatividade e inovação, completar 100 saltos de corda consecutivos sem errar acaba transformando diversão em teste de paciência.

A mesma decepção está presente na trilha sonora do jogo que é praticamente inexistente, com poucas faixas sendo percebidas e pecando por serem genéricas demais, sem criar uma real identidade para o jogo. Ao menos a direção de arte consegue agradar pela estética urbana minimalista e que contrasta drasticamente com a paleta colorida e vibrante tradicionalmente associada à Nintendo, rodando de forma estável e sem quedas perceptíveis de frame rate, mesmo durante partidas ou sequências mais movimentadas.
Talvez Drag x Drive funcione melhor quando os jogadores encararem esse título como um grande experimento, que consegue explorar as possibilidades dos controles de gestos mais modernos e a novidade do modo mouse, muito bem pensando para o formato híbrido do Switch 2. Mesmo que as partidas rápidas e intensas possam proporcionar diversão, ela acontece em doses moderadas. No entanto, a obra completa deixa a impressão de oportunidade desperdiçada por conta do conceito inovador, que mereceria ser acompanhado por um desenvolvimento mais ambicioso e acabamento mais refinado para realmente justificar sua existência no catálogo Nintendo.
Prós:
🔺Fácil de dominar os controles
🔺Controles inovadores e imersivos com o modo mouse dos joy-cons
🔺Esportes muito bem adaptados para cadeiras de rodas
🔺Gráficos interessantes e desempenho sem quedas de FPS
Contras:
🔻Repetição pela falta de variedade
🔻Ausência de multiplayer local no mesmo console
🔻Falta de desbloqueáveis e desafios
🔻Desconforto físico após algumas partidas
🔻Simplicidade na estratégia do jogo em equipe
🔻Baixo fator replay
Ficha Técnica:
Lançamento: 14/08/2025
Desenvolvedora: Nintendo
Distribuidora: Nintendo
Plataformas: Switch 2


