O primeiro Unrailed foi uma experiência extremamente divertida, que tive o prazer de analisar. É uma premissa singular: montar uma linha férrea aos trancos e barrancos, enquanto o trem anda. Obviamente, me joguei nos trilhos para sua continuação. Entretanto, faltou muito pouco para eu abandonar o título em Acesso Antecipado, consumido por uma frustração extrema.

A desenvolvedora Indoor Astronaut inicia Unrailed 2: Back on Track! com um tutorial obrigatório, longo e enfadonho, em que explica as mesmas mecânicas que já estavam incorporadas em minha mente. Se o único problema fosse apertar a barra de espaço para pular as explicações a cada dois minutos, esse primeiro reencontro com o jogo seria suportável. O real obstáculo é que a curva de dificuldade nesse início é uma rampa íngreme, praticamente um paredão. A sequência não apenas começa com mais desafios do que o jogo original como também não libera a ajuda do bot até o finalzinho do tutorial.

Unrailed 2: Back On Track

Unrailed 2 amplia bastante o escopo das opções de interação com o ambiente, gera proceduralmente mapas mais intrincados e, com tudo isso, quebra um paradigma estabelecido no jogo anterior: a possibilidade de se jogar solo. A opção ainda existe nessa continuação, porém o jogador solitário precisará se desdobrar em mil para manter esse trem rodando nos trilhos e aquilo que poderia ser um título relaxante acaba se transformando em um exercício de stress. Com o robô que recebe instruções, essa jornada volta a ser aprazível. Imagino que com um bando de amigos jogando simultaneamente, o título se altere completamente, combinando diversão máxima com alguma necessidade de coordenação de esforços.

Apesar dos pesares, ultrapassei o tutorial, desbloqueei o bot e, finalmente, Unrailed 2 começou a dar retorno para mim: a recompensa continua lá, apenas mais difícil de se obter e administrar.

Unrailed 2: Back On Track

Unrailed 2 também está sendo construído com o trem andando

Por ser um título em Acesso Antecipado, imagino que Unrailed 2 deve passar por alguns ajustes antes do lançamento. O caráter roguelite é fortemente marcado aqui, o que significa que o jogador deverá “grindar” diversas vezes mapas randômicos na expectativa de se conseguir uma evolução minúscula, que aumentará quase nada as chances de ele ir mais longe em sua próxima tentativa.

A sorte do título é trazer uma jogabilidade satisfatória, de forma que a punição de recomeçar do zero no mesmo bioma acaba sendo menos pesada. Ainda assim, é uma sensação ruim ver um erro incorrigível provocar o fim de sua jornada e testemunhar o descarrilamento total do seu trem por infindáveis segundos.

Para um jogo disponível somente para PCs nesse primeiro momento, é bem irritante que toda sua interface seja pensada para controle e praticamente ignore a existência de um mouse na máquina. O único momento em que o jogo usa um mouse é para ativar a roda de comandos para o bot (se estiver em uma partida multiplayer, a roda se converte para uma roda de emojis). É contra-intuitivo remover uma das mãos do teclado para usar esse recurso, principalmente porque os comandos em si dentro da roda tem botões de atalho.

Unrailed 2: Back On Track

A sensibilidade da captura de itens também parece mais frágil do que no jogo anterior. Isso acontece porque o nível de zoom de Unrailed 2 é um pouco mais distante, mas também porque a hitbox nem sempre é consistente. Esse é mais um aspecto que pode e deve ser corrigido com o tempo.

Carreta furacão!

Mesmo assim, apesar de uma lista relativamente longa de problemas, é inegável que Unrailed 2 vicia. Seu charme reside nas mecânicas deliciosas (que poderiam apenas ser um pouco mais precisas ou claras), nos personagens simpáticos (que agora podem ser bastante customizáveis visualmente) e na trilha sonora cativante. Tudo isso se soma para convidar o jogador para mais uma tentativa, mais um passeio, mais uma brincadeira, mesmo sabendo que o final dessa ferrovia vai ser um desastre.

Unrailed 2: Back On Track

A Indoor Astronaut tem bastante trabalho pela frente para ajustar todos os parafusos dessa locomotiva. Felizmente, a base do jogo é perfeita e os muitos acréscimos ainda estão no limite em que não ferem demais a simplicidade original. Há novos e estranhos vagões, novos biomas, novos eventos desafiadores que podem surgir no meio da partida, tarefas que garantem recompensas adicionais e outras adições que aumentam sua complexidade, para aqueles que estão dispostos a mergulhar profundamente na experiência.

Por outro lado, para quem só deseja dar um rolê de vez em quando, com amigos gargalhando, ou sozinho com um bot, Unrailed 2 também é garantia de um bom passatempo, superada aquela colina inicial.

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