O mercado dos jogos eletrônicos é bastante competitivo. Dados do SteamDB apontam que mais de 14 mil títulos foram lançados no Steam, em 2023. Desse total, 1256 foram jogos de sobrevivência. É matar ou morrer, é uma briga de foice em que as desenvolvedoras tem poucas chances de se destacar na multidão. Serum aproveita essa chance com uma prévia que mostra que o jogo tem potencial, mas essa mesma prévia falha em apresentar suas maiores novidades.

A prévia de Serum é um recorte muito estreito do mundo do jogo, com apenas duas áreas para serem exploradas: o hub inicial, que também serve de introdução, e uma área selvagem em que o jogador realmente precisa lutar por sua sobrevivência. Não bastasse o escopo reduzido, a prévia ainda conta com um contador de tempo, que começa a descida regressiva tão logo se tenha acesso a essa área selvagem. Eu tive um total de 45 minutos para explorar o que o jogo da Toplitz Productions tinha a oferecer. O resultado, infelizmente, não foi favorável.

A primeira coisa que literalmente salta aos olhos são os gráficos. E quando eu digo “saltar”, isso significa que as texturas carregaram na minha frente. Pior do que isso, a geometria carregava na minha frente, com destroços, objetos e até paredes saltando diante de mim, em um efeito perturbador. Não tenho um PC topo de linha, mas é a mesma máquina que rodou sem problemas o exuberante e detalhado Chernobylite e, mais recentemente, Pacific Drive, para me ater em exemplos de temática similar. Reduzindo a qualidade gráfica, o efeito de “popup” some, mas o jogo fica mais feio que bater na mãe. Depois de vários ajustes, encontrei um equilíbrio com FSR.

A segunda coisa que Serum apresenta para você é o marcador de tempo (que não tem relação com o contador da prévia). É uma mecânica embutida na própria história do jogo. Aqui, você controla um voluntário para um tratamento celular experimental, que pode um dia salvar a vida de seu filho. Como todo tratamento experimental da ficção, ele dá errado. O tal composto está transformando as formas de vida em mutantes. O jogador é imune a essa transformação, porém precisa tomar doses frequentes do tal “serum” ou morrer. Cada injeção garante mais cinco minutos de vida. Em outras palavras, o jogador é obrigado a prestar atenção no cronômetro embutido em seu braço e andar com um estoque de seringas no inventário.

Para quem deseja explorar sem pressa ou se perder na imersão, esse detalhe fundamental da experiência se torna um obstáculo bem desagradável. É possível acumular até quinze minutos de tempo nas veias, um limite ainda escasso. Quanto mais seringas são injetadas, mais impuro fica o sangue, e o jogador precisa passar por um purificador, que só existe na base. Eu calculo que o retorno é necessário a cada 20 minutos. É um atrito na jogabilidade que mais irrita do que estimula. Imagino que devam existir formas de contornar ou ampliar essas limitações, porém, novamente, não é algo presente na versão de prévia.

Serum esconde o jogo

Pacific Drive também continha diversos elementos que não foram expostos na prévia, entretanto o recorte realizado foi tão instigante e bem-feito que divertia por si só. Serum está em seu esqueleto nessa forma e esse esqueleto não é exatamente funcional.

Voltando aos gráficos, é o jogo mais verde que eu já vi. É um “cala boca” para quem reclamou dos gráficos de Fallout 3 sem motivos. Serum é a manifestação absoluta do verde. Se encaixa na proposta do jogo, na questão da névoa tóxica e da própria cor do composto mutagênico, mas o resultado final deprime. Felizmente, a trilha sonora salva a atmosfera, ajudando a criar tensão muito mais do que a coloração de ervilha que atravessa tudo.

Por outro lado, os efeitos sonoros confundem. É impossível perceber de onde vem os inimigos pelo áudio. Há rosnados ocasionais de feras que nem estão próximas, enquanto algumas ameaças só são percebidas porque a música de combate começou. O personagem principal se movimenta fazendo toda sorte de barulho, inclusive metálicos. E ele ofega como um tabagista subindo escada.

Evidentemente, falta polimento nessa versão. Seria injusto comentar de bugs que serão provavelmente corrigidos antes do lançamento, como erros de colisão de objetos e menus que congelam na tela. Os problemas reais são mais estruturais, como o combate sem vida. Não há qualquer variedade nos confrontos e a animação dos inimigos não ajuda, dificultando o timing do bloqueio. Faz mais sentido se manter em movimento e seguir batendo. A conexão dos golpes tampouco é satisfatória: para um título que não tem vergonha de mostrar podridão e cadáveres, o combate deveria ser mais visceral e impactante.

Pode ser que seja bom… mas também pode ser que não

O grande diferencial de Serum para outros títulos de sobrevivência são os diferentes tipos de seringa que podem ser fabricados. Com as fórmulas certas, é possível obter habilidades especiais e vantagens, que devem deixar o jogo mais tático ou mais próximo de um Bioshock. Da mesma forma, é possível evoluir armas e equipamentos de acordo com o estilo de jogo de cada um. Há dispositivos na base cuja função sequer é explicada. Infelizmente, esses detalhes são visíveis na prévia, mas não estão disponíveis. A quantidade de recursos necessária para essas evoluções não está acessível ou o diagrama para realizá-las não foi encontrado.

Nessas condições, é impossível afirmar com clareza se Serum terá seu lugar ao sol em mais de mil opções de jogos de sobrevivência ou se irá desaparecer na neblina.

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